POLÉMICA SOBRE OSSADAS DO 27 DE MAIO: SOBREVIVENTES DENUNCIAM IRREGULARIDADES NA LISTA DA CIVICOP
Alguns dos sobreviventes dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977 discordam da lista de ossadas apresentada pela Comissão para Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos, após identificarem os próprios nomes entre os alegados restos mortais encontrados no Cemitério do 14, em Luanda, e registarem diversas irregularidades no processo de identificação.
Em declarações à agência Lusa, Joaquim Sequeira, membro do Grupo de Sobreviventes integrado na Plataforma 27 de Maio, manifestou surpresa ao constatar que o seu nome consta do inventário de mais de 600 corpos apresentado pela CIVICOP. O sobrevivente questionou a credibilidade da lista.
Segundo Joaquim Sequeira, uma análise detalhada ao documento permitiu identificar pelo menos 13 pessoas que sobreviveram às detenções da época e 83 indivíduos que faleceram noutras províncias do país, levantando dúvidas sobre os dados divulgados.
O sobrevivente, afirmou ainda ser difícil compreender como foi possível determinar com exactidão o número de 603 corpos alegadamente encontrados no local.
Também Jorge Marques, cujo nome surge igualmente na lista, defendeu uma revisão rigorosa do processo de identificação das ossadas.
As críticas surgem numa altura em que continuam os esforços de reconciliação nacional e esclarecimento dos factos relacionados com os acontecimentos de 27 de Maio de 1977, um dos episódios mais sensíveis da história contemporânea de Angola.
Na ocasião, uma alegada tentativa de golpe de Estado liderada por Nito Alves foi seguida por uma ampla repressão conduzida pelas autoridades.
Os sobreviventes defendem maior transparência no processo de identificação das vítimas e apelam à realização de investigações independentes que permitam esclarecer as incongruências apontadas, de modo a garantir justiça, verdade histórica e respeito pela memória das vítimas e das suas famílias.





































