“UMA NAÇÃO É FORTE QUANDO O POVO ESTÁ UNIDO”

Cardoso Domingos de Almeida, artisticamente conhecido por Imanuel Ricardo Cardoso, é um jovem multifacetado, natural da província do Cuanza-Sul. Actor, professor, palestrante, coach e criador do projecto “Valores Morais”.

Com foco na superação constante e no aprofundamento do conhecimento, realizou diversos cursos profissionais, entre os quais Administração de Empresas, Jornalismo Digital, Informática, Noções de Direito, Criminologia, Gestão de Recursos Humanos, Linguagem Gestual (Libras), Psicologia da Persuasão, Farmácia e Gestão Hospitalar, Psicanálise, Pedagogia, Gramática e Metodologia de Ensino, Ciências Forenses e Direitos Humanos.

“É uma vasta gama de cursos, se fosse enumerar todos, levaríamos uma eternidade”, afirmou, recentemente ao Portal Ponto de Situação, entre risos.

MEMÓRIAS DO CAZENGA

Imanuel Ricardo Cardoso cresceu no município do Cazenga, território onde começou a desenhar o sonho de ser poeta e escritor. Recorda uma infância considerada normal, vivida em condições médias, como a de muitas crianças angolanas.

“Foi difícil, sim, e muito”, reconheceu, agradecendo aos seus progenitores por nunca lhe terem faltado as três refeições diárias, assistência médica, vestuário e, sobretudo, atenção especial à sua formação académica.

Testemunhou um ambiente social marcado por rixas e fenómenos como o “caixão vazio”, os “corta-cabeça” e o conhecido “pina”, realidades que moldaram a sua consciência social.

POETA, ESCRITOR E DECLAMADOR

A paixão pela escrita nasceu por influência de um professor do ensino primário. Destaca, com emoção, o apoio do seu professor de Língua Portuguesa, conhecido por Real Cia, que o incentivava a declamar poemas de autores angolanos como Luandino Vieira, António Jacinto, Pepetela, Agostinho Neto e Jofre Rocha.

Foi igualmente influenciado por produções televisivas como Ruth e Raquel, O Cravo e a Rosa, Como uma Onda e Malhação, bem como por séries como Chaves, Capitão Planeta e Garra Branca.

Estas referências contribuíram para a criação da sua obra embrionária intitulada “Mujimbo”, lançada oficialmente no Brasil, em 2019, onde expressa o amor pela arte, literatura e representação, com destaque para a beleza da mulher africana.

Apesar de uma pausa recente na declamação, mostra-se disponível para participar em eventos culturais. “Depende apenas da agenda”, disse.

TEATRO E CINEMA: UMA EXPERIÊNCIA TRANSFORMADORA

Foi em 2017 que iniciou a sua trajectória no teatro profissional, após integrar o Colectivo de Artes Pedro Bélgio, resultado de um casting, depois de experiências no teatro comunitário com ONG’s em programas de combate à SIDA, cólera, paludismo, entre outras patologias.

Considera o Colectivo Pedro Bélgio como a sua principal escola teatral, sem descurar a formação em cinema realizada pela P’Arte Filmes, com profissionais como Salgueiro Maya Katchanga, Lausiarte Arte, Blandine e Satanha Cinéfilo.

A ida ao Brasil surgiu de forma inesperada, numa fase em que integrava a produtora TV Tela da Arte, da cineasta angolana Amélia Ngueve, durante as gravações do filme “Um Pedaço de Amor”.

A sua primeira entrevista no Brasil foi concedida via Facebook, à jornalista e assessora de imprensa Aline Melo, que posteriormente se deslocou a Angola para dar continuidade a projectos culturais.

Participou ainda no Festival Internacional Arte em Movimento, realizado em Diadema, São Paulo, onde foi indicado para representar o cinema angolano, graças à sua actuação em filmes como Makenda Eduardo, Pânico em Cacuaco e A Doutrina de Fofartes Artes. No final, foi distinguido com certificados de mérito, participação e medalhas.

O actor reconhece o papel determinante de Aline Melo na criação das condições para a sua deslocação ao Brasil.

“É um ser humano de luz, especial e generoso. O seu carinho marcou profundamente a minha caminhada”, declarou.

Actualmente, participa em produções da produtora brasileira Latinidade, destacando-se no filme “Sequestros em Luanda”, onde assume o papel principal.

FORMAÇÃO TEOLÓGICA E FÉ

Crescido numa família cristã, frequentou a escola dominical da Igreja Pentecostal Cafarnaum Betel, no bairro Bandeira, município do Kilamba Kiaxi. Por influência de outros fiéis, optou pela formação em Teologia.

Segundo o actor, a aplicação prática do conhecimento teológico tem sido proveitosa, permitindo-lhe ajudar várias pessoas a compreenderem melhor a fé cristã e o sentido da vida espiritual.

CONSELHOS À SOCIEDADE E AO GOVERNO

Face ao actual contexto mundial, Imanuel Ricardo Cardoso apela à união, empatia e solidariedade entre os cidadãos.

“Somos todos peregrinos nesta vida. Devemos abandonar o ódio, a inveja e as atitudes desumanas, investir na formação, crescer com dignidade e ajudar-nos mutuamente. Uma nação só é forte quando o seu povo está unido”, sublinhou.

Ao Governo, exortou à criação de mais oportunidades para a juventude, sobretudo para os jovens formados e com vontade de contribuir para o desenvolvimento do país.

No seu entender, é inconcebível que quadros qualificados não sejam reconhecidos após tanto investimento na sua formação, defendendo uma aposta séria na força jovem como motor do progresso nacional.

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