EX-ACTRIZ ANGOLANA PEDE MAIS VALORIZAÇÃO DOS GRUPOS TEATRAIS
Da ribalta do cinema às reflexões sobre o teatro, Albertina Capitango ergue a voz para pedir maior reconhecimento aos grupos teatrais, lembrando que cada personagem encenada é também uma lição de vida, capaz de contribuir para o progresso do país.

A trajectória de Albertina Capitango é descrita como uma história de superação e resiliência. Apesar das dificuldades enfrentadas, nunca desistiu de lutar pelos seus objectivos. Segundo contou, já passou por momentos críticos, mas, pela “graça divina”, está livre das obras que considera “mundanas”.
Com menos de trinta anos, foi uma referência no cinema angolano, tendo dado vida a várias personagens que marcaram a sua carreira. Ficou conhecida como “Única Filha”, após ter participado no filme realizado por Henrique Narciso “Dito”. Albertina Capitango foi reconhecida e premiada pelo seu desempenho, destacando-se também no mundo teatral.
De acordo com a ex-actriz, a falta de valorização dos profissionais do teatro é uma das causas da fraca produção de filmes e novelas no país. “Existem países onde o teatro é bastante valorizado, porque sabem que, além de ser um acto cultural, também gera receitas para o Estado”, destacou.
Em declaração ao portal Ponto de Situação, nesta terça-feira, 19 de Agosto, a considerou que o cinema agrega valores, mas defende que o teatro precisa de maior reconhecimento.
“O teatro é uma terapia, é muito mais do que as pessoas pensam. Cada personagem que o actor interpreta é, sem dúvidas, um aprendizado para o telespectador”, afirmou.
Infância e percurso
Albertina recorda a infância como semelhante à de qualquer criança.
“Sabemos que existem crianças que nascem em famílias de berço de ouro e outras que fazem o seu berço. Os meus pais deram-me o que podiam. Claro que não eram obrigados a oferecer-me o que não tinham”, disse.
Cresceu sem conhecer a família paterna, tendo sido educada apenas pela mãe, que na altura era solteira. Mais tarde, a mãe constituiu uma nova família, onde Albertina sempre se sentiu amada, apesar das vicissitudes da vida.
A actriz, que brilhou no cinema, lembra que foi no Horizonte Ginga Mbande que descobriu o seu talento artístico. Reconhece ainda o papel de Walter Cristóvão, a quem considera “um excelente professor”, no seu crescimento no mundo da representação.
Para Albertina Capitango, olhar com seriedade para o teatro é essencial, por se tratar de uma arte capaz de contribuir directamente para o progresso de Angola.
“Eu fiquei como Jó que perdeu tudo..., Imagina uma famosa a viver numa casa de renda que quando chove a casa inunda...!” O testemunho de Albertina Capitango chega em entrevista exclusiva, esta quinta-feira, 21 de Agosto, às 18h00, no portal Ponto de Situação.
LEIA TAMBÉM: A FORÇA INVISÍVEL DE UM PROFISSIONAL EXEMPLAR E RARO CHAMADO KADÚ