FREI HANGALO QUESTIONA VERSÃO DA UNITEL E DEFENDE ESCLARECIMENTO PÚBLICO SOBRE ALEGADO ATAQUE CIBERNÉTICO
O engenheiro informático e sacerdote católico, Frei Joaquim José, mais conhecido por Frei Hangalo, manifestou dúvidas sobre a versão apresentada pela Unitel relativamente ao alegado ataque cibernético à sua infraestrutura tecnológica.
Para o especialista, o comunicado divulgado pela operadora é demasiado vago e não esclarece quais os sistemas afectados, impedindo que outras empresas possam retirar lições do incidente e reforçar as suas medidas de segurança.
Segundo Frei Hangalo, afirmar apenas que a infraestrutura tecnológica da Unitel foi alvo de um ataque cibernético não é suficiente, uma vez que uma infraestrutura tecnológica engloba diversos componentes, como antenas, cabos de fibra óptica, servidores, centros de dados, plataformas de gestão e outros serviços.
Na sua óptica, um ataque informático dificilmente compromete toda a infraestrutura de uma operadora em simultâneo, razão pela qual considera essencial que a empresa identifique os sistemas afectados e explique a origem da falha.
O especialista recordou que existem diferentes categorias de ataques informáticos, incluindo infecções por vírus e ataques de ransomware, um tipo de malware que encripta os dados das vítimas e exige o pagamento de um resgate para a sua recuperação.
Frei Hangalo explicou que, durante muitos anos, o ransomware explorou vulnerabilidades do protocolo de comunicação SMB1, utilizado em sistemas Windows antigos. Contudo, após os grandes ataques registados a nível mundial, os fabricantes passaram a desactivar esse protocolo por defeito e a substituí-lo pelo SMB2, considerado mais seguro.
Assim, segundo defende, uma infecção deste género normalmente está associada à utilização de sistemas desactualizados ou à ausência de actualizações de segurança.
O engenheiro, reconheceu que Angola enfrenta ataques cibernéticos com alguma frequência, mas sublinhou que as empresas tecnológicas devem comunicar com transparência sempre que ocorrem incidentes desta natureza, indicando a origem do problema e as medidas adoptadas para evitar novas ocorrências.
Na sua análise, caso o incidente tenha sido provocado por ransomware, isso poderá também levantar questões sobre os mecanismos internos de gestão tecnológica e de actualização dos sistemas da própria operadora.
Frei Hangalo afirmou ainda que, considera pouco provável que uma empresa com a dimensão e experiência da Unitel não disponha de sistemas de redundância, planos de continuidade do negócio (BCP) e mecanismos de recuperação de desastres capazes de restaurar rapidamente os serviços.
Para o especialista, não é aceitável que uma operadora permaneça longas horas sem conseguir restabelecer os seus serviços, devido ao impacto económico e social provocado por uma interrupção de comunicações à escala nacional.
Durante a sua intervenção, Frei Hangalo foi mais longe e afirmou que, na sua opinião, a explicação apresentada pela Unitel "está mal contada". Defendeu que, com os actuais níveis de segurança informática, um ataque desta dimensão exigiria um esclarecimento técnico muito mais detalhado.
O sacerdote concluiu apelando a uma maior transparência na comunicação institucional sobre incidentes tecnológicos, considerando que isso é fundamental para fortalecer a confiança dos cidadãos e permitir que outras organizações adoptem medidas preventivas adequadas.




































