SUBIDA DO PREÇO DO GASÓLEO JÁ REFLECTE NAS CORRIDAS DE TÁXI, APESAR DE GARANTIAS DA ANATA
O reajuste do preço do gasóleo para 420 kwanzas por litro, em vigor desde Sábado, 13, já começa a ter impacto no bolso dos passageiros em várias rotas de Luanda, apesar de a Associação Nacional dos Taxistas de Angola (ANATA) ter garantido que não haveria alteração no preço da corrida, o que gerou muitas reclamações por parte dos utentes.
O Instituto Regulador dos Derivados de Petróleo (IRDP) anunciou recentemente o aumento do preço do gasóleo de 400 para 420 kwanzas o litro, uma medida enquadrada na política governamental de retirada gradual dos subsídios aos combustíveis, iniciada em 2023.
Segundo o instituto, o reajuste incide apenas sobre o gasóleo, mantendo-se inalterados os preços da gasolina e dos demais derivados de petróleo.
Em reacção à medida, a ANATA procurou tranquilizar os cidadãos, assegurando que os preços das corridas não sofreriam alterações imediatas. A associação afirmou estar a analisar tecnicamente o impacto do aumento dos custos operacionais e apelou à serenidade dos seus associados.
No entanto, uma ronda efectuada pelo Portal Ponto de Situação em diferentes praças e rotas de táxi da capital, constatou-se uma realidade diferente. Na rota Desvio do Zango–Benfica, onde a corrida era habitualmente cobrada a 400 kwanzas, alguns taxistas já exigem entre 500 e 600 kwanzas por passageiro. Em contrapartida, a ligação entre o Benfica e a Rotunda da Camama mantém o preço anterior de 400 kwanzas.
Na rota Benfica–32 Cajueiros, os valores variam entre 300 e 400 kwanzas, evidenciando a falta de uniformidade na aplicação dos preços.
A situação tem provocado indignação entre os passageiros. Joaquim Elídio, morador do Zango 2, considera que é necessária uma fiscalização mais rigorosa por parte das autoridades.
“Até os autocarros que deviam cobrar 200 kwanzas estão a cobrar 300, enquanto outros passaram de 300 para 500 kwanzas. Assim fica difícil para quem depende diariamente dos transportes para trabalhar. Não podemos gastar todo o salário em transporte”, lamentou.
Também Ernesto Adão Gaspar, de 52 anos, criticou a actuação de alguns taxistas e defende uma maior intervenção da Polícia Nacional.
“Ontem paguei 400 kwanzas da Vila de Viana até ao Desvio do Zango. Além disso, exigem dinheiro trocado a altas horas da noite. A polícia devia criar postos de fiscalização nas principais paragens para proteger os passageiros”, afirmou.
Do lado dos taxistas, há quem justifique os aumentos com os custos crescentes da actividade. Antunes Forquilha Zua explicou que muitos operadores trabalham com veículos movidos a gasóleo e que enfrentam despesas elevadas para abastecer.
“Muitos taxistas nem sequer são associados e acabam por fazer o que entendem. Mas também é preciso compreender que os custos aumentaram. Encher um depósito pode custar entre 15 e 20 mil kwanzas, além das responsabilidades com os proprietários das viaturas”, referiu.
Já Sanio Gouveia Tomé considerou que uma actualização das tarifas é inevitável para alguns profissionais do sector.
“Quem trabalha com viaturas a gasóleo sente directamente o impacto do aumento. Se os custos sobem, é normal que haja pressão para rever os preços das corridas”, argumentou.
Enquanto isso, a ANATA mantém a posição oficial de que os taxistas devem continuar a operar normalmente e sem alterações nas tarifas, pelo menos até que seja concluída a avaliação técnica dos efeitos do novo preço do combustível.
A divergência entre as orientações da associação e a prática observada nas ruas deixa milhares de passageiros na incerteza, num momento em que o custo de vida continua a ser uma das maiores preocupações das famílias angolanas.
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