ANGOLA ALERTA NA ONU PARA IMPACTO DOS RECURSOS NATURAIS NOS CONFLITOS ARMADOS E DEFENDE REFORÇO DA GOVERNAÇÃO GLOBAL
O Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas, Francisco da Cruz, afirmou, em Nova Iorque, que a ligação entre recursos naturais e conflitos armados continua a constituir um dos principais desafios à paz e ao desenvolvimento sustentável, defendendo o reforço dos mecanismos internacionais de controlo e transparência.
A posição foi expressa durante a Reunião Plenária da Assembleia Geral das Nações Unidas, dedicada ao tema “O papel dos Diamantes no Financiamento dos Conflitos”, realizada na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque.
Na sua intervenção, Francisco da Cruz evocou a experiência histórica de Angola, que durante décadas enfrentou um conflito armado prolongado, em parte alimentado pelo comércio ilícito de diamantes, fenómeno que ficou conhecido como “diamantes de sangue”.
Segundo o diplomata, essa realidade contribuiu directamente para a mobilização internacional que culminou na criação do Processo de Certificação de Kimberley, considerado um instrumento essencial de cooperação multilateral para impedir a entrada de diamantes provenientes de zonas de conflito nos mercados formais.
O representante angolano saudou, neste contexto, a recente adopção de uma resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre a matéria, sublinhando o seu papel no reforço da transparência, da responsabilização e na prevenção de conflitos associados à exploração de recursos naturais.
Apesar dos avanços, Francisco da Cruz alertou para a persistência de desafios significativos, nomeadamente a evolução das redes de tráfico ilícito e as fragilidades nos mecanismos de governação internacional. Defendeu, por isso, a necessidade de modernizar o Processo de Certificação de Kimberley, com maior rastreabilidade, sistemas de conformidade mais robustos e apoio contínuo aos países produtores.
No plano interno, o diplomata destacou os esforços de Angola na transformação estrutural do sector diamantífero, com aposta na lapidação e valorização local dos recursos, bem como no reforço da transparência e da boa governação.
Segundo frisou, estas medidas visam garantir que os recursos naturais deixem de ser factores de instabilidade e passem a constituir motores de desenvolvimento, contribuindo para a criação de emprego, crescimento económico e integração regional, no âmbito da Zona de Comércio Livre Continental Africana.
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