CHEIAS EM GAZA: VÍTIMAS CLAMAM POR MAIS APOIO DAS AUTORIDADES
As cheias deixaram rastros de destruição em Moçambique, e a vida está longe de voltar ao normal nas regiões mais afectadas, como Gaza. Só nesta província, 81 mil pessoas procuraram refúgio em centros de acomodação.
A província de Gaza, no sul de Moçambique vive submersa há quase um mês. Estas são as piores cheias de que há memória. Milhares de casas ficaram total ou parcialmente destruídas.
Segundo a DW, nas escolas que funcionam agora como abrigos temporários há desafios constantes.
Como constatou este órgão de comunicação, Rostalina Cuamba saiu do povoado de Muianga e refugiou-se em Hokwe, no distrito de Chókwé. Ela conta que, no local, serve-se "comida preparada, mas que não está fácil".
"A água potável é pouca e algumas pessoas já voltaram para casa. Nós ainda aqui estamos porque, nas nossas casas, não há condições. Pedimos tendas para servir de abrigo quando voltarmos", disse Rostalina.
Também Sortinha Paulo, outra vítima das enchentes, pede mais apoio às autoridades e, por causa das poucas condições, disse que está a planear regressar a casa, no povoado de Marambajane.
"Se pudesse ter espaço aqui e uma tenda, assim poderia viver. Só vou voltar porque não tenho para onde ir. Ainda há muita água nas nossas casas", lamentou.
"As nossas vias ainda são um desafio"
A província de Gaza foi uma das regiões mais afectadas pelas cheias em Moçambique. 175 mil hectares semeados foram dados como perdidos. A força das águas devastou centenas de salas de aula, unidades sanitárias e fontes de captação de água potável, entre outras infraestruturas vitais.
Cinco distritos do norte de Gaza continuam sitiados. As estradas estão cortadas e a ajuda demora a chegar. A governadora da província, Margarida Mapandzene Chongo, descreve a situação nos distritos de Chigubo e Massangena como crítica.
E a governadora conta que "não é possível chegar à zona norte por conta dos rombos na estrada. E ainda há água a correr e a galgar a estrada na cidade de Chókwè e em Caniçado".
"As nossas vias ainda são um desafio, mas há um trabalho que está a ser feito", garantiu.
Margarida Mapandzene Chongo pediu que ninguém regresse a casa até que a segurança nessas regiões esteja garantida e apelou à população que siga fielmente as recomendações das autoridades.
Na cidade de Xai-Xai, foi tapado o último rombo na Estrada Nacional Número 1 (EN1), a principal estrada do país, mas o trânsito continua interdito.
A única ligação rodoviária faz-se por caminhos alternativos, que passam pelos distritos de Limpopo, Chibuto e Chongoene, na província de Gaza, numa extensão de mais de cem quilómetros.
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