JOVEM ABANDONA IGREJA POR PRECONCEITO RELIGIOSO APÓS ASSUMIR HOMOSSEXUALIDADE

Pimpim, um jovem homossexual, afirma ter sido forçado a deixar de frequentar a igreja devido ao preconceito e ao bullying de que era alvo desde que assumiu publicamente a sua orientação sexual.

Em declarações ao Portal Ponto de Situação, revelou que a descoberta aconteceu ainda na adolescência.

“Não foi fácil a aceitação por parte da família e dos amigos, porque muitos diziam que eu era um ser demoníaco”, contou, Pimpim, que diz ter assumido a sua condição ainda aos 15 anos.

Segundo a fonte, a mãe percebeu a sua inclinação para o lado feminino ainda na infância, mas acreditava tratar-se apenas de uma fase passageira.

 Hoje, com aproximadamente 29 anos, confessa que as maiores dificuldades continuam a ser a discriminação, não apenas dentro da igreja, no seio familiar e na sociedade em geral,  mas também no acesso ao emprego.

Actualmente, sobrevive com o salário que recebe de trabalhos domésticos, admitindo que ainda não fez nenhum procedimento estético para adequar a sua aparência física ao género com que se identifica.

 “Um dos dilemas que encontro é conseguir trabalho numa boa empresa, porque o preconceito pesa mais do que a minha competência”, lamenta.

Além da luta pessoal, é membro da associação Íris, organização que defende a aceitação e o respeito pelos homossexuais. Apela à empatia da sociedade, justificando que “pertencemos todos à mesma raça. Eu não tenho culpa por nascer assim”.

Visão da Igreja à Luz da Bíblia

O  assistente administrativo e pregador do Ministério Internacional de Restauração, Indalécio Afonso, reconhece que a homossexualidade é definida pela ciência como atracção sexual e emocional entre pessoas do mesmo sexo.

“Em Angola, a homossexualidade foi despenalizada desde 2019, mas ainda não existe reconhecimento legal da união de facto ou do casamento entre pessoas do mesmo sexo”, recordou.

Recorrendo às escrituras, o pregador sublinha que a Bíblia condena a homossexualidade, reafirmando que “Deus criou apenas dois géneros, homem e mulher, para se relacionarem entre si”.

Apesar dessa posição, Indalécio Afonso apela a que os cristãos não discriminem quem assume uma orientação sexual diferente, defendendo que a mensagem bíblica deve ser de amor e de união.

 “A sociedade deve encontrar formas de ajudar estas pessoas a inverter o seu desvio sexual, mas sem as excluir”, concluiu.

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