ENCERRAMENTO DE EMPRESAS PRESSIONA ECONOMIA ANGOLANA E EXPÕE DESAFIOS FISCAIS

Mais de 272 mil empresas em Angola encontravam-se em incumprimento tributário até ao ano passado, num universo de 376.754 registadas, segundo dados da Administração Geral Tributária (AGT). A suspensão gradual dos números de identificação fiscal (NIF) surge como medida para reforçar a arrecadação de receitas, mas levanta preocupações quanto ao impacto no tecido empresarial.

Imagem: Jornal de Angola

De acordo com informações avançadas pela AGT, uma parte significativa das empresas nacionais esteve em situação de incumprimento fiscal por um período igual ou superior a um ano.

Perante este cenário, o Executivo iniciou, em Janeiro do corrente ano, um processo gradual de suspensão dos NIF, visando assegurar o cumprimento das metas estabelecidas no Orçamento Geral do Estado, sobretudo no que diz respeito ao equilíbrio entre despesas fixadas e receitas estimadas.

A medida teve efeitos imediatos. Registou-se uma corrida por parte das empresas com NIF suspensos para regularizar a sua situação tributária, o que resultou num aumento significativo das receitas fiscais. Segundo responsáveis, os valores arrecadados chegaram a atingir quase o dobro das metas previstas, em comparação com o período homólogo.

Apesar dos resultados positivos para as finanças públicas, especialistas alertam para os impactos negativos da medida sobre empresas em dificuldades.

O director-geral da AFRJ, empresa especializada na recuperação e reestruturação de dívidas, defende que a AGT deve ajustar os seus métodos à actual realidade económica do país. Segundo o responsável, é necessário distinguir entre empresas viáveis, mas financeiramente fragilizadas, e aquelas que já apresentam resultados operacionais negativos e sem перспективas de recuperação.

Nesta linha, sustentou que, empresas com potencial de recuperação não devem ser tratadas da mesma forma que aquelas consideradas inviáveis, sob pena de agravar o encerramento de negócios e o aumento do desemprego.

Por outro lado, Rui de Carvalho defende igualmente o reforço da responsabilização judicial de gestores cujas empresas entram em falência por má gestão, como forma de promover maior rigor e transparência no sector empresarial.

O debate em torno das medidas fiscais e do encerramento de empresas evidencia o desafio de equilibrar a necessidade de arrecadação de receitas com a sustentabilidade do sector produtivo, num contexto económico ainda marcado por fragilidades estruturais.