EUA VAI ‘ADMINISTRAR’ VENEZUELA E EXTRAIR PETRÓLEO POR ‘VÁRIOS ANOS’

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que seu governo deve seguir "administrando" a Venezuela e extraindo petróleo das reservas do país latino-americano "por muitos anos".

Reuters/ Jonathan Ernst

Em entrevista ao jornal 'The New York Times', presidente dos EUA afirmou que pretende supervisionar o governo venezuelano por tempo indeterminado, falou em 'reconstrução lucrativa' da Venezuela e disse que o governo interino 'está nos dando tudo o que necessitamos'.

"Só o tempo vai dizer", disse o presidente norte-americano, ao ser questionado sobre quantos anos a ingerência de Washington sobre Caracas vai durar.

“Mas vamos reconstruir a Venezuela de uma forma muito lucrativa. Vamos usar petróleo e vamos importar petróleo. Vamos baixar os preços do petróleo e vamos dar dinheiro à Venezuela, que precisa desesperadamente disso", afirmou Trump na entrevista.

Ao ser questionado por que preferiu apoiar a agora presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, no lugar de incentivar que a oposição tomasse o poder no país, o presidente dos EUA negou responder.

Na quarta-feira, 7, houve uma proclamação retirando os Estados Unidos de 35 organizações não pertencentes às Nações Unidas e de 31 entidades da ONU.

Segundo um comunicado da Casa Branca, a saída dos organismos ocorre porque, segundo Washington, eles "operam contrariamente aos interesses nacionais dos EUA".

A maioria dos alvos são agências, comissões e painéis consultivos ligados à ONU que se concentram em questões climáticas, trabalhistas e outras que o governo Trump classificou como voltadas para iniciativas de diversidade e "woke".

Entre elas, estão: Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres); Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC); Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD); Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC)

O governo Trump já havia suspendido o apoio a agências como a Organização Mundial da Saúde, a UNRWA (Agência das Nações Unidas para a Refugiados da Palestina), o Conselho de Direitos Humanos da ONU e a UNESCO (Agência das Nações Unidas para a Cultura)

O republicano passou a adoptar uma abordagem mais selectiva para o pagamento de suas contribuições à ONU, escolhendo quais operações e agências considera alinhadas à agenda de Trump e quais não servem mais aos interesses dos EUA.

“Acho que o que estamos vendo é a cristalização da abordagem dos EUA ao multilateralismo, que é ‘ou do meu jeito ou nada feito’”, disse Daniel Forti, analista sênior da ONU no International Crisis Group. “É uma visão muito clara de querer cooperação internacional nos termos de Washington.”

Isso representa uma grande mudança em relação à forma como administrações anteriores, tanto republicanas quanto democratas, lidaram com a ONU, e forçou a organização, que já passava por sua própria reestruturação interna, a responder com uma série de cortes de pessoal e programas.

Muitas organizações não governamentais independentes — algumas que trabalham com as Nações Unidas — relataram o encerramento de diversos projetos em decorrência da decisão do governo americano, no ano passado, de cortar drasticamente a ajuda externa por meio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), encerrada por Trump.

Primeiro mandato

Trump já havia removido os EUA de órgãos multilaterais em sua primeira passagem pela Casa Branca, entre 2017 e 2021.

Em Julho de 2020, no auge da pandemia, Trump anunciou a retirada do país da Organização Mundial da Saúde (OMS), que buscava coordenar esforços contra a Covid-19 e o desenvolvimento de uma vacina. A saída formal foi consumada no ano seguinte.

Na época, Trump alegou que a OMS foi "pressionada" pela China para dar "direcionamentos errados" ao mundo sobre o novo coronavírus, causador da Covid-19. "O mundo está sofrendo agora como resultado dos malfeitos do governo chinês", disse Trump em Maio de 2020.