EXPLOSÃO ATINGE PETROLEIRO ANGOLANO NO PORTO DO IRAQUE

O petroleiro Sonangol Namibe, ligado à petrolífera estatal angolana com o mesmo nome, foi atingido por uma explosão na madrugada de 5 de Março, quando se encontrava ancorado nas proximidades do porto de Khor al Zubair, no sul do Iraque. O incidente provocou apenas danos materiais no casco da embarcação e não deixou feridos entre os tripulantes.

Imagem: Angola24Horas

De acordo com informações divulgadas pela companhia, o navio aguardava autorização para iniciar o carregamento de petróleo quando ocorreu uma explosão localizada na área do convés.

O impacto atingiu um dos tanques de lastro, compartimento utilizado para garantir a estabilidade da embarcação que se encontrava vazio no momento do incidente.

Relatos da imprensa internacional indicam que uma pequena embarcação desconhecida se aproximou do petroleiro por volta da 1h20 da madrugada, pouco antes de se ouvir um forte estrondo. apesar da explosão, toda a tripulação encontra-se em segurança e não há registo de feridos.

A embarcação sofreu apenas danos materiais no casco, mantendo-se estável e sob controlo operacional. como medida de precaução, foram imediatamente activados os protocolos de segurança, estando em curso avaliações técnicas em coordenação com as autoridades marítimas locais.

A Sonangol Namibe operava ao serviço da Stena Sonangol Suezmax Pool, uma parceria entre a Sonangol e a empresa sueca Stena Bulk. O navio tinha contrato com a State Organization For Marketing Of Oil (somo), companhia estatal iraquiana responsável pela comercialização do petróleo do país, para carregar cerca de 80 mil toneladas métricas de combustível.

Até ao momento, as causas da explosão não foram oficialmente confirmadas. entre as hipóteses em análise estão um possível ataque com explosivos a partir de uma pequena embarcação, um incidente técnico no convés ou um eventual acto de sabotagem.

Para o analista político Hamilton João, é necessária cautela antes de atribuir responsabilidades. Segundo explicou, à luz do direito internacional do mar e das convenções das nações unidas, muitos petroleiros operam sob o regime conhecido como “bandeira de conveniência”, que permite que uma embarcação utilize a bandeira de um estado diferente do país de origem da empresa proprietária.

O especialista considera prematuro apontar eventuais responsáveis, incluindo a possibilidade de envolvimento do irão, hipótese que tem circulado em alguns meios de comunicação internacionais. caso se confirme um ataque contra o navio angolano, Hamilton João entende que o governo de angola poderá recorrer ao direito de protesto no plano internacional.

O analista alertou ainda para os riscos que os países produtores de petróleo enfrentam num contexto de crescente tensão no médio oriente, região considerada uma das principais rotas estratégicas para o transporte mundial de petróleo.

“As nações dependentes do petróleo devem avaliar com prudência os riscos e os ganhos neste cenário de instabilidade, sobretudo porque muitas rotas de transporte energético passam por zonas sensíveis ou de conflito”, afirmou.

As investigações continuam a ser conduzidas pelas autoridades marítimas locais e pela própria Sonangol. Como o petroleiro ainda não tinha carregado petróleo no momento da explosão, não houve registo de derrame ou impacto ambiental.

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