GREVE GERAL EM PORTUGAL AFECTA VOOS ENTRE BRASIL E LISBOA

O Aeroporto de Lisboa orientou os passageiros a verificarem o status de seus voos junto às companhias aéreas antes de se deslocarem ao terminal devido aos impactos da paralisação, pois a greve geral convocada para esta terça-feira, 2, em Portugal provocou alterações nas operações aéreas do país e afectou voos que ligam Lisboa ao Brasil.

Imagem: CNN Brasil

A TAP Air Portugal informou que irá operar apenas 79 voos no âmbito dos serviços mínimos definidos para o período da greve. Segundo a companhia, todas as demais operações previstas para o dia serão suspensas.

A empresa afirmou que está entrando em contacto com os passageiros afectados para oferecer alternativas de viagem e destacou que trabalha para minimizar os transtornos causados pela paralisação.

A Latam também anunciou medidas de flexibilização para clientes com voos de, para ou via Lisboa entre os dias 2 e 3 de Junho. Os passageiros poderão remarcar suas viagens sem cobrança de multa, dentro das condições estabelecidas pela companhia, ou solicitar reembolso conforme as regras tarifárias da passagem adquirida.

Já a Azul Linhas Aéreas informou o cancelamento dos voos AD8750 e AD8900, entre Campinas e Lisboa, programados para terça-feira, 2, além dos voos de retorno AD8751 e AD8901, entre a capital portuguesa e Viracopos, previstos para quarta-feira, 3.

Em nota, a empresa afirmou que os clientes impactados estão sendo comunicados e ressaltou que a situação é alheia à sua vontade.

Motivações da greve

A greve foi convocada pela CGTP (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses), uma das principais centrais sindicais do país, em protesto contra uma proposta de reforma trabalhista aprovada pelo Conselho de Ministros e enviada ao Parlamento no último mês.

A CGTP cita o aumento do custo de vida, com elevação dos preços da alimentação, energia e habitação, além dos impactos econômicos decorrentes das tensões no Oriente Médio, como factores que motivaram a mobilização.

A entidade critica ainda o chamado "Pacote Laboral" defendido pelo governo português, argumentando que as medidas favorecem grupos econômicos e ampliam a exploração dos trabalhadores.

Até o momento, as autoridades portuguesas mantêm a previsão de realização da greve, enquanto companhias aéreas e operadores aeroportuários adoptam medidas para reduzir os impactos aos passageiros.

Posicionamento do governo português

No último mês, o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, afirmou que o país precisa flexibilizar parte de sua legislação trabalhista para aumentar a competitividade da economia e atrair mais investimentos.

Entre as medidas defendidas pelo governo estão a flexibilização de limites para terceirização e a ampliação de mecanismos de banco de horas, permitindo que funcionários acumulem horas extras para compensação futura com folgas ou remuneração adicional.

Segundo Montenegro, o objetivo não é retirar direitos dos trabalhadores, mas tornar a economia portuguesa mais atrativa em um cenário internacional de instabilidade.

"Não queremos retirar os direitos dos trabalhadores, mas Portugal é uma economia que, neste momento de instabilidade externa, tem tudo o que precisa para ser uma referência de estabilidade e para atrair mais investimentos", afirmou o premiê durante uma conferência empresarial realizada em Braga.

O governo argumenta que as mudanças podem impulsionar o crescimento econômico e ampliar os investimentos no país.