ESPECIALISTAS ALERTAM SOBRE OS PERIGOS DO ESGOTAMENTO EXTREMO NO TRABALHO

Especialistas abordam em torno da problemática do esgotamento extremo no trabalho e alertam que apesar de ser pouco conhecida por muitas pessoas, não é uma doença nova.

ESPECIALISTAS ALERTAM SOBRE OS PERIGOS DO ESGOTAMENTO EXTREMO NO TRABALHO

O distúrbio emocional que resulta do estresse crônico relacionado ao trabalho, conhecido como Síndrome de burnout é um tema que carece de apreciação e precisa constantemente ser destacado.

Em entrevista ao Fala Você Notícias, a Doutora Marcela Pi, médica especialista em psiquiatria, trouxe uma análise aprofundada sobre a síndrome de burnout, com realce as possíveis causas, sintoma e impacto na saúde mental.

De acordo com a especialista, apesar de muitos desconhecerem a sua existência, a Síndrome de burnout não é uma doença nova.

 “Muitos acreditam que essa condição foi inventada recentemente e a associam apenas ao ambiente de trabalho, mas, na realidade, já existem descrições sobre ela há bastante tempo. Atualmente, ela é considerada uma das principais doenças ocupacionais”, disse a psiquiatra em entrevista.

Marcela Pi destacou que a doença em causa é caracterizada por níveis elevados de estresse, mas que não é limitada exclusivamente ao ambiente profissional.

“Ela afecta três níveis principais: o sentimento próprio, a forma como lidamos com o outro e a crença em si mesmo e no que fazemos”, detalhou.

Marcela explicou que, na medicina, o termo síndrome refere-se a um conjunto de sintomas que ocorrem em simultâneo ou em grande quantidade, assinalando um quadro clínico específico.

Entre os principais sintomas do burnout, Pi destacou a sensação de solidão, sintomas depressivos e ansiedade, sentimento de desesperança, raiva e irritabilidade, dificuldade de empatia com o outro, fraqueza e tensão muscular, preocupação constante, náuseas, vômitos e problemas gastrointestinais.

Profissões mais vulneráveis

A psiquiatra alertou a existência de algumas profissões, em que os profissionais são mais propensos a desenvolver a síndrome de burnout, especialmente aquelas relacionadas à área da saúde.

“Profissionais que trabalham em sectores de emergência, como médicos, enfermeiros, estudantes de medicina e até funcionários da saúde na atenção básica, lidam com uma alta demanda e pressão constante, o que aumenta significativamente o risco”, afirmou.

Além disso, a psiquiatra destaca que o clima de trabalho também é relevante no caso da Síndrome de burnot. “Locais onde há falta de harmonia na equipe, mudanças frequentes nas regras ou até mesmo a necessidade de competição entre os funcionários podem ser factores desencadeantes do burnout”, disse.

Diagnóstico e tratamento

Dra. Marcela destacou que, devido a cultura de tolerância ao excesso de trabalho e a multifuncionalidade, muitas pessoas demoram a buscar ajuda. “Normalmente, alguém que está sofrendo com a síndrome de burnout leva, em média, três meses para perceber a necessidade de procurar um profissional”, observou.

A psiquiatra realça que o diagnóstico deve ser feito por um psiquiatra, que irá avaliar os sintomas e o impacto na vida do paciente. No entanto, o tratamento envolve diversas abordagens, como a identificação dos factores que levaram ao desenvolvimento da síndrome, psicoterapia para trabalhar questões emocionais e comportamentais, registo diário das actividades para avaliar a influência do cotidiano no trabalho, técnicas de respiração, relaxamento e yoga, e nalguns casos o uso de medicação.

Para Marcela “Cuidar da saúde mental é essencial, e buscar ajuda profissional é um passo importante para a recuperação”, concluiu.

Vida pessoal e profissional

De acordo com Shana Wajntraub, psicóloga, especialista em neurociência e mestre em comunicação, um dos factores que pode contribuir para a síndrome de burnout é a falta de harmonia entre a vida pessoal e a vida profissional.

Para a especialista, as pessoas, em muitos casos, têm dificuldade de gerenciar o tempo e conciliar vida pessoal e profissional, ficam sem tempo para atender as demandas e praticar o autocuidado, que é essencial no combate ao burnout.

Por parte da empresa, um outro indiciador significativo é o ambiente tóxico, uma liderança tóxica pode ter grande impacto no bem-estar dos colaboradores, pois eles tendem a criar um ambiente de trabalho negativo, onde as equipas são submetidas a altos níveis de estresse, pressão e hostilidade.

Segundo a psicóloga, a exposição prolongada a este tipo de gestão pode levar ao burnout, pois o estresse alto e a exaustão emocional podem proporcionar uma sensação de desamparo e desesperança.

 “Encontrar o equilíbrio entre produtividade e saúde é um desafio que deve ser enfrentado tanto pelos profissionais quanto pelas empresas. Os profissionais devem estar atentos aos sinais de estresse e esgotamento, buscando ajuda sempre que necessário”, aconselha Shana Wajntraub.

Por outro lado, Shana recomenda que as empresas adotem medidas para flexibilizar a carga de trabalho dos colaboradores, estabelecer políticas claras de equilíbrio entre vida pessoal e profissional e investir em programas de bem-estar para seus profissionais.

Como combater o Burnout?

Shana Wajntraub cita algumas práticas de actividades para gerenciar o estresse: atividades físicas leves e moderadas, práticas de relaxamento como massagem e meditação, práticas espirituais, escutar músicas, contacto com a natureza, práticas alimentares saudáveis.

A psicóloga destaca que é importante também, escolher uma dieta com alimentos leves, manter vínculos sociais satisfatórios e recompensadores, como encontrar bons amigos, familiares e namorar.

E, por último, um dos mais importantes, sono regular. “É importante considerar que nem sempre é possível aderir a todas essas práticas, mas quanto mais conseguir ajustar tais aspectos, mais eficiente será sua recuperação ou prevenção ao burnout”, concluiu Shana Wajntraub.

Vale realçar que no dia primeiro de janeiro de 2022, a síndrome do burnout passou a ser oficialmente reconhecida como doença ocupacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

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