ANGOLA LEVA REFORMAS E OPORTUNIDADES DE INVESTIMENTO AO CENTRO FINANCEIRO DE LONDRES

Angola chega esta semana à City de Londres com uma mensagem dirigida aos grandes investidores: o país quer transformar as reformas económicas em oportunidades concretas de negócio e aproximar-se dos principais centros internacionais de capital.

Imagem: RNA

A Ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, lidera a delegação angolana que participa, nos dias 8 e 9 de Setembro, no Fórum de Negócios e Investimentos Angola-Reino Unido, em Londres, encontro que coloca no centro das discussões as reformas em curso no país, o programa de privatizações, a gestão da dívida pública e o desenvolvimento do mercado de capitais.

A presença angolana reúne representantes do Ministério das Finanças e dos organismos tutelados, do Ministério do Planeamento, da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações (AIPEX), bancos comerciais e instituições financeiras.

Mais do que uma agenda institucional, a deslocação procura apresentar Angola como um mercado com activos, empresas e instrumentos financeiros que podem despertar o interesse de investidores estrangeiros.

PRIVATIZAÇÕES NO CENTRO DA ESTRATÉGIA

Um dos principais pontos da agenda será o Programa de Privatizações, através do qual o Estado pretende colocar no mercado participações e activos públicos, abrindo espaço para a entrada de capital privado e para novas formas de gestão empresarial.

A apresentação da carteira do PROPRIV aos investidores britânicos representa uma tentativa de aproximar oportunidades existentes em Angola de um dos maiores centros financeiros internacionais.

Para o Governo, o desafio passa por transformar o interesse externo em investimento efectivo, o que dependerá da previsibilidade das regras, da transparência dos processos, da qualidade dos activos disponibilizados e da confiança dos investidores no ambiente de negócios.

A presença de bancos e instituições financeiras angolanas no fórum pretende justamente aproximar as oportunidades de investimento dos mecanismos capazes de as financiar.

DÍVIDA E MERCADO DE CAPITAIS

A estratégia de financiamento e gestão da dívida pública será igualmente colocada em discussão.

Num contexto em que os Estados procuram diversificar as suas fontes de financiamento, o desenvolvimento de um mercado de capitais mais profundo poderá permitir a Angola reduzir a dependência de determinadas fontes tradicionais e criar instrumentos capazes de mobilizar poupança nacional e capital internacional.

As ofertas públicas iniciais constituem outro dos temas do encontro.

A abertura de empresas ao mercado de capitais pode permitir a mobilização de recursos, melhorar os mecanismos de governação corporativa e aumentar a participação de investidores privados na economia.

Para Angola, o desenvolvimento deste segmento representa também uma tentativa de transformar o mercado financeiro nacional num instrumento mais activo de financiamento da economia.

A LONDON STOCK EXCHANGE COMO PALCO

Um dos momentos de maior simbolismo da agenda será a participação de Vera Daves de Sousa na cerimónia de abertura do mercado na London Stock Exchange.

Na qualidade de convidada seleccionada, a Ministra accionará o mecanismo que marca a abertura do mercado, num gesto que ultrapassa o carácter protocolar e procura simbolizar a aproximação de Angola ao sistema financeiro internacional sediado em Londres.

É também neste ambiente que a Ministra será a oradora principal da sessão de abertura do Fórum de Negócios e Investimentos Angola-Reino Unido.

A intervenção deverá centrar-se na credibilidade de Angola enquanto destino de investimento e na apresentação de uma carteira concreta de oportunidades associadas às privatizações, ao financiamento soberano e aos mercados de capitais.

DIPLOMACIA ECONÓMICA GANHA PESO

A agenda inclui ainda uma série de encontros bilaterais com responsáveis governamentais britânicos e figuras de destaque do sector financeiro.

Entre os encontros previstos está a reunião com Kirsty McNeill, nova Ministra britânica para África, bem como com Dame Susan Langley, Lord Mayor de Londres e representante internacional do sector britânico de serviços financeiros e profissionais.

A delegação angolana deverá igualmente manter contactos com Bill Winters, Group Chief Executive do Standard Chartered Bank, e com uma delegação do HSBC.

Os encontros procuram criar canais directos entre Angola e instituições com capacidade para mobilizar financiamento, estruturar operações financeiras e apoiar investimentos de longo prazo.

SEGUROS E PARTILHA DE RISCO

A passagem pelo Lloyd’s acrescenta uma dimensão importante à agenda.

A discussão sobre seguros, resseguros, garantias e outros mecanismos de partilha de risco procura identificar formas de reforçar a capacidade seguradora nacional e criar melhores condições para a concretização de grandes projectos económicos.

Num mercado onde os grandes investimentos envolvem riscos elevados, a existência de mecanismos adequados de cobertura pode ser determinante para atrair capital privado.

A discussão assume, por isso, importância para programas prioritários do Executivo e para a mobilização de investidores nacionais e estrangeiros.

A MENSAGEM DE ANGOLA AOS INVESTIDORES

A participação no fórum será ainda marcada por um debate sobre a evolução macroeconómica de Angola, as reformas em curso e as oportunidades disponíveis no país.

O painel, moderado pelo CEO do Standard Bank Angola, Luís Teles, deverá colocar em discussão temas como a carteira do PROPRIV, a dívida soberana e o desenvolvimento dos mercados financeiros.

No conjunto, a missão angolana procura transmitir uma mensagem simples, mas exigente: Angola pretende que as reformas económicas sejam lidas pelo mercado não apenas como mudanças institucionais, mas como condições para novos negócios.