KHAMENEI ACUSA MANIFESTANTES DE BUSCAR 'AGRADAR' TRUMP E DIZ QUE NÃO VAI RECUAR DIANTE DOS PROTESTOS

O líder supremo do Irão, o aiatolá Ali Khamenei, disse nesta sexta-feira, 9, que o seu governo "não vai recuar" diante dos protestos generalizados que ocorrem pelo país há quase duas semanas e acusou manifestantes de agirem para agradar o presidente dos EUA, Donald Trump.

Khamenei: Agência de Notícias da Ásia Ocidental Reuters Trump: SAUL LOEB AFP via Getty Images
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O Irão vive a maior onda de protestos contra o governo desde 2009. Movimento escalou de insatisfação com economia para pedir que líder supremo deixe o poder. O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã caso ‘regime’ Khamenei mate manifestantes.

Em seu primeiro pronunciamento desde que os protestos escalaram e tomaram uma nova proporção, ainda nas primeiras horas de 2026, Khamenei chamou os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”, em um discurso transmitido pela TV estatal.

“Na noite passada, em Teerã, um grupo de vândalos e arruaceiros veio e destruiu um prédio que pertencia ao Estado, ao próprio povo, apenas para agradar o presidente dos Estados Unidos”, disse Khamenei, pedindo a Trump que “cuide do seu próprio país”.

Os protestos eclodiram no final de Dezembro em Teerã e foram motivados por uma crise econômica, a moeda do país, o rial, perdeu metade de seu valor frente ao dólar no ano passado e a inflação ultrapassou os 40% em Dezembro, no entanto, com o passar dos dias e com a repressão policial, os manifestantes passaram a exigir a renúncia de Khamenei.

As manifestações se tornaram as maiores demonstrações contra o governo iraniano desde 2009 e protestos já foram registrados em 25 das 31 províncias iranianas, segundo uma contagem da agência de notícias AFP.

Até o momento, os protestos já deixaram mais de 40 mortos, incluindo membros das forças de segurança, segundo contagens de organizações de direitos humanos atuando no Irão. O número real de vítimas pode ser ainda maior porque há limitações na quantidade de informações que sai do país.

Os protestos também geraram uma nova escalada nas já comprometidas tensões entre os EUA e o Irão. Trump disse que não tolerará mortes de manifestantes pelo ‘regime’ Khamenei e disse que "atingirá muito duramente" o país caso isso aconteça. Nesta sexta, o líder iraniano chamou o presidente dos EUA de "arrogante" e disse que suas mãos “estão manchadas com o sangue de mais de mil iranianos”, em referência aos bombardeios feitos contra instalações nucleares em 2025.

Na quinta-feira, 8, os protestos ganharam uma nova proporção após Khamenei ter ordenado um apagão da internet e da rede telefônica para tentar conter os manifestantes. A quarta-feira foi considerada o "dia mais sangrento" dos protestos até o momento, em que foram registradas as mortes de 13 manifestantes.

O Irão intensificou a repressão contramanifestantes contrários ao regime nesta quinta-feira, 8, no momento em que a onda de protestos chega ao 12º dia no país.

Também nesta quinta, o presidente dos EUA, Donald Trump, mencionou a situação do país asiático.

"Deixei claro para eles que, se começarem a matar pessoas o que tendem a fazer durante seus distúrbios, eles têm muitos distúrbios, se fizerem isso, nós os atingiremos muito duramente", disse o presidente dos Estados Unidos durante uma entrevista ao apresentador de rádio conservador Hugh Hewitt.

Os protestos no Irão eclodiram em 28 de Dezembro, quando comerciantes de Teerã organizaram uma manifestação contra o aumento dos preços no país e o colapso da moeda local, o rial, o que desencadeou uma onda de acções semelhantes em outras cidades. Outras pautas foram incluídas por outros manifestantes.

Desde então, os actos se espalharam por 25 das 31 províncias iranianas, segundo uma contagem da AFP, e deixaram dezenas de mortos, incluindo membros das forças de segurança.

De acordo com vídeos cuja autenticidade foi verificada pela AFP, os manifestantes entoavam slogans como "é a batalha final, Pahlavi voltará", em alusão à dinastia derrubada pela Revolução Islâmica de 1979, ou "Seyyed Ali será destituído", em referência ao líder supremo Ali Khamenei, no poder desde 1989.

O Irã está "actualmente sujeito a um corte de internet em escala nacional", afirmou a ONG de vigilância de segurança cibernética Netblocks, com base em dados em tempo real.

O presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, voltou a pedir nesta quinta-feira "a máxima moderação" frente aos manifestantes, bem como o "diálogo" e a escuta às "reivindicações do povo".

Quarta-feira sangrenta

Ainda não se sabe o número de mortos nos protestos. Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito menores, morreram nos actos.

A quarta-feira, 7, foi o dia mais sangrento, com 13 mortos, de acordo com esta organização, que também indicou que "centenas" de pessoas ficaram feridas e que mais de 2 mil foram detidas.

As manifestações são as maiores no Irã desde as que ocorreram após a morte da jovem Mahsa Amini, em 2022 presa por violar as rígidas normas de vestuário para mulheres.

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