SEQUÊNCIA DE TEMPESTADES DEIXA PORTUGAL EM ESTADO DE CALAMIDADE

As autoridades portuguesas declararam estado de calamidade devido a fortes tempestades que já causaram 13 mortos, centenas de desalojados e elevados prejuízos, fenómeno este que os especialistas descrevem como um “comboio de tempestades”.

Imagem: UN News

A sucessão de depressões atlânticas tem provocado chuva intensa, vento forte e inundações em várias regiões do país, com consequências graves.

Kristin e Leonardo provocam fortes estragos 

Há registo de treze vítimas mortais, centenas de pessoas desalojadas, milhares de ocorrências registadas pela Proteção Civil, danos significativos em infraestruturas e perturbações na vida política e social.

A primeira grande tempestade, a Kristin, atravessou o território português no final de Janeiro, deixando um rasto de destruição.

Ventos fortes acima dos 200 km/h e precipitação persistente provocaram quedas de árvores, estradas cortadas, casas danificadas e longos cortes no fornecimento de electricidade. As regiões de Leiria e do Oeste foram as mais afectadas.

Quando o país ainda tentava recuperar, chegou a depressão Leonardo, prolongando a instabilidade meteorológica. A nova tempestade causou fortes inundações, sobretudo em zonas urbanas e ribeirinhas e a Proteção Civil registou centenas de ocorrências em poucas horas.

Comboio de tempestades

Agora, segue-se a depressão Marta que deve atingir o país este Sábado, 7 de Fevereiro. A tempestade está inserida na vasta região depressionária que se formou no Atlântico Norte, uma espécie de corredor por onde está a passar este comboio de tempestades em direcção à Península Ibérica.

Em entrevista à ONU News, a meteorologista Maria João Fraga explica o conceito. “Um comboio de tempestades é uma sucessão contínua de depressões que vão passando sucessivamente, umas atrás das outras, e vão circulando sempre no mesmo trajecto de Oeste para Leste”.

“Nunca vi algo tão devastador”

O impacto tem sido severo em Portugal, mas também em Espanha e outros países europeus devido a um fluxo polar muito a sul e ao facto de o anticiclone dos Açores estar fora da sua localização habitual e bastante enfraquecido.

Apesar do fenómeno ser esperado no Inverno, Maria João Fraga, meteorologista há 30 anos, destaca a severidade da depressão Kristin. “Desde que sou meteorologista, nunca vi algo tão devastador, talvez esta tenha sido a mais agressiva”, destacou a especialista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Ipma.

OMM aponta impacto a nível europeu

Segundo o Deutscher Wetterdienst, um dos centros regionais de monitorização climática da Organização Meteorológica Mundial, OMM, na Europa, as próximas semanas poderão continuar a ser marcadas por precipitação acima da média.

A situação será observada em partes da Groenlândia, da Europa Ocidental e do Mediterrâneo, com acumulados semanais entre 25 e 100 milímetros, podendo ultrapassar esse valor em locais mais expostos.

A instituição alerta ainda para a possibilidade de nova incursão de ar frio de origem ártica, sobretudo no norte e nordeste da Europa, afectando países como a Noruega, Suécia, Finlândia e regiões do Báltico.

Estado de calamidade até 15 de Fevereiro 

Portugal encontra-se em estado de calamidade até 15 de Fevereiro e, ao longo destes dias, todos os distritos do continente português têm estado sob avisos meteorológicos.

As autoridades apelam repetidamente à população para evitar deslocações desnecessárias e comportamentos de risco.

Bombeiros, forças de segurança e serviços municipais continuam mobilizadas no terreno, respondendo a emergências, assistindo populações isoladas e tentando repor serviços essenciais.

Adiadas eleições presidenciais 

O impacto do mau tempo estendeu-se também à esfera política. Em algumas zonas severamente afectadas, foi adiado o acto eleitoral para as eleições presidenciais, devido às dificuldades logísticas e de segurança.

Ainda assim, quase todo o país vai manter a segunda volta para escolher o novo presidente português para este Domingo, 8 de Fevereiro, com exceção de alguns municípios afectados.