TALENTO NÃO SE MEDE COM FITA MÉTRICA
Quando a bola começou a saltar no campeonato africano de basquetebol, poucos ousavam pronunciar o seu nome. Alguns nem sabiam quem era, outros franziram a testa diante da sua altura, ou melhor, da falta dela, numa modalidade onde a estatura costuma ser senha de entrada.
Bastaram alguns minutos em campo para que o baixinho se agigantasse. O miúdo, que responde pelo nome de Childe Dundão, fez da tabela um trampolim, e cada vez que subia, parecia maior do que todos.
Saaaaaaco! Gritava a plateia, enquanto a descrença dos primeiros dias se convertia em aplauso.
O torneio foi avançando, e com ele a certeza: a altura do Dundão nunca foi obstáculo, pelo contrário, parecia ter no corpo molas invisíveis.
Contra Cabo Verde, vitória por 90-80, ele transformou-se em colosso, um daqueles gigantes que não se mede em centímetros mas em feitos.
Na quinta-feira, 21 de Agosto, a noite foi dele, brilhou como nunca, coroado MVP da partida: trinta pontos, haviam sido concretizados. Diante de um Cabo Verde que não se entregou facilmente, Dundão mostrou que talento não se mede com fita métrica.
Assim que o apito final ecoou, as redes sociais explodiram. Li comentários que me comoveram: “o baixinho atrevido”, “o gigante do basquetebol”, “Childe Dundão”. O seu nome virou hino digital, multiplicado em elogios que atravessaram fronteiras.
Hoje, ao chegar à Redacção do Portal Ponto de Situação, deparei-me com uma conversa unânime: a partida entre Angola e Cabo Verde. No centro da discussão, um nome repetia-se como refrão, o rapaz brilhou, foi um gigante, e outras tantas palavras pronunciadas pelos colegas entusiasmados.
Em suma, o atleta que muitos subestimaram é farol de esperança para Angola. As propostas lá fora já devem estar a bater à porta, mas neste instante, mais do que um contrato, o que Dundão carrega é o orgulho de um povo inteiro.
Força, foco, paciência, persistência, trabalho e humildade- eis os cinco dedos da mão com que segura o futuro. Se o agarrar bem, o céu não terá tecto.
Parabéns, Dundão. A tua força é a força de todos. Do público que vibra nas bancadas, da equipa que luta em campo, da federação que sonha, e da Angola que acredita. Que este voo leve-nos até à final, com a pujança do demais profissionais com quem partida o recinto das partidas, pois, sem o esforço colectivo não teríamos um Dundão neste nível.