ACORDO SOBRE BIODIVERSIDADE MARINHA ENTRA EM VIGOR EM JANEIRO DE 2026

Em setembro, o tratado sobre alto mar alcançou as 60 ratificações exigidas, sete países lusófonos apoiam a sua implementação. A ONU considera que o documento inaugura uma nova fase de cooperação internacional na protecção dos oceanos.

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Em janeiro de 2026, o tratado entrará em vigor, com a participação de 169 países que assinaram o Bbnj. Destes, apenas 128 o ratificaram, incluindo Portugal, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Timor-Leste. Angola, Brasil e São Tomé e Príncipe ainda não o confirmaram. Outros 66 não assinaram nem ratificaram o tratado, incluindo Moçambique.

 

Abrangência e integração da biodiversidade

A subsecretária-geral para Assuntos Jurídicos da ONU, Elinor Hammarskjöld, liderou o processo diplomático que permitiu ao acordo ultrapassar o seu último obstáculo formal.

O tratado, adotapdo por consenso em junho de 2023, apoia a conservação da biodiversidade marinha em áreas que não se encontram sob a jurisdição de Estados e que representam a grande maioria do oceano global. O Bbnj organiza quatro áreas essenciais para a conservação e uso sustentável da biodiversidade marinha.

Possibilidade de designar áreas marinhas

O primeiro pilar tem a ver com recursos genéticos marinhos, com regras para a recolha, utilização e partilha justa dos benefícios.

O segundo, cria a possibilidade de designar áreas marinhas protegidas em alto mar, de forma a preservar ecossistemas sensíveis e limitar actividades humanas em zonas críticas.

O terceiro pilar assenta em avaliações de impacto ambiental, obrigatórias para actividades com potencial de causar danos significativos.

Já o quarto pilar centra-se na capacitação e transferência de tecnologia marinha, fornecendo apoio aos países em desenvolvimento para que possam participar plenamente.

Mecanismos de implementação

A Conferência das Partes, COP, será o órgão máximo de decisão, apoiada por diversos órgãos subsidiários dedicados à ciência e à implementação do BBnj.

Um Mecanismo de Partilha de Informação facilitará o acesso a dados relevantes, e uma Secretaria permanente será responsável pela coordenação administrativa.

O tratado também estabelece um mecanismo financeiro para apoiar projectos de conservação e a participação de países com menos recursos.

Para a ONU, o modelo instituído pelo Bbnj representa o passo mais significativo na governança oceânica desde a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de 1982.

 

Adopção e apoio ao tratado

O documento esteve aberto para assinatura entre Setembro de 2023 e Setembro de 2025. A entrada em vigor ocorre 120 dias após o depósito do 60.º instrumento de ratificação, marco alcançado este ano, garantindo que o tratado terá força jurídica plena em Janeiro de 2026.

A próxima Conferência da ONU sobre as Mudanças Climáticas dará início ao processo de definição das primeiras áreas marinhas protegidas, regras de partilha de benefícios e aos procedimentos de avaliação ambiental.

Hammarskjold destaca o “verdadeiro impulso de compromisso” para enfrentar os desafios dos oceanos, sublinhando o reconhecimento real da crise e das ferramentas para enfrentá-la de forma eficaz.

A ONU considera que o Bbnj inaugura uma nova fase de cooperação internacional, essencial para garantir que os oceanos continuem a sustentar a vida, a economia global e o equilíbrio climático.