LIBERDADE DE IMPRENSA EM QUEDA ACENTUADA: MUNDO REGISTA PIOR NÍVEL EM 25 ANOS
O jornalismo mundial enfrenta uma das suas fases mais críticas das últimas décadas. O mais recente relatório da Repórteres Sem Fronteiras revela que mais de metade dos países do mundo (52,2%) são actualmente considerados “difíceis” ou “muito difíceis” para o exercício da profissão, evidenciando uma degradação contínua das condições de trabalho dos jornalistas à escala global.
A tendência descendente da liberdade de imprensa não é recente, mas tem-se agravado de forma consistente ao longo dos últimos anos. Segundo a Repórteres Sem Fronteiras, o cenário global tornou-se progressivamente mais hostil, transformando o mapa da liberdade de imprensa num retrato cada vez mais marcado pelo vermelho, cor que simboliza contextos de elevado risco e restrições severas.
O contraste com o início do século é significativo. Em 2002, cerca de 20% da população mundial vivia em países classificados com um nível “bom” de liberdade de imprensa.
Hoje, esse número caiu drasticamente para menos de 1%, um indicador alarmante que expõe o recuo das garantias democráticas e da protecção aos profissionais da comunicação social.
Entre os principais factores apontados para esta degradação estão os conflitos armados, que continuam a representar uma ameaça directa à vida dos jornalistas. Países como Iraque, Iémen e Palestina figuram entre os contextos mais perigosos, onde o exercício da profissão se tornou praticamente inviável.
Desde Outubro de 2023, mais de duas centenas de jornalistas terão perdido a vida em zonas de conflito, muitos deles em circunstâncias ligadas à acção militar israelita, segundo dados citados no relatório.
Neste quadro, o Médio Oriente e o Leste Europeu, este último marcado pela guerra entre Rússia e Ucrânia, consolidam-se como as regiões mais perigosas para o jornalismo, onde a informação independente é frequentemente silenciada por interesses políticos e militares.
No continente africano, a realidade não é substancialmente diferente. Angola acompanha esta tendência negativa, registando uma queda de nove posições no ranking mais recente.
O país, que ocupava anteriormente a 109.ª posição, apresenta agora uma pontuação global de 48,82%, inferior aos 52,67% registados no ano anterior.
Entre os principais constrangimentos identificados no contexto angolano destacam-se as dificuldades de acesso a fontes e documentos oficiais, a escassez de meios de comunicação independentes e sustentáveis, bem como a ausência efectiva de rádios comunitárias. Acresce ainda o elevado custo para a criação e manutenção de projectos mediáticos privados, realidade que limita a pluralidade e a competitividade no sector.





































