CANCRO DA MAMA CRESCE EM ANGOLA E EXPÕE URGÊNCIA NO REFORÇO DA PREVENÇÃO E DIAGNÓSTICO PRECOCE
Angola registou, em 2025, um total de 554 novos casos de cancro da mama, contra 531 no ano anterior, confirmando uma tendência crescente da doença no país. O alerta foi feito pela ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, que defendeu o reforço urgente das campanhas de sensibilização, rastreio e diagnóstico precoce como principais armas para salvar vidas.
Os dados, apresentados durante o “Café Oncológico”, promovido pelo Ministério da Saúde no âmbito do encerramento do Mês da Mulher, revelam não apenas o aumento do número de casos, mas também a persistência do cancro da mama como a principal causa oncológica entre as mulheres angolanas.
O encontro serviu de espaço de reflexão, partilha e consciencialização sobre uma doença que continua a representar um dos maiores desafios de saúde pública no país.
Na ocasião, a ministra Sílvia Lutucuta destacou que o crescimento dos casos exige uma resposta mais estruturada e contínua, baseada sobretudo na prevenção. Segundo a governante, o diagnóstico precoce continua a ser determinante para o aumento das taxas de sobrevivência, sendo fundamental incentivar as mulheres a realizarem exames regulares.
“É urgente promover a prevenção e o rastreio, pois o diagnóstico precoce pode salvar vidas”, afirmou, sublinhando que o combate à doença não depende apenas do sistema de saúde, mas também do nível de informação e consciência das famílias e comunidades.
Como exemplo de boas práticas, a ministra apontou a campanha de rastreio realizada em Outubro de 2025 pelo Complexo Hospitalar Pedalé, considerada a maior já promovida no país.
Durante a iniciativa, mais de três mil mulheres foram rastreadas, com a realização de cerca de 1.700 exames, entre mamografias, ecografias e biópsias. Deste universo, foram diagnosticados 46 casos positivos, que se encontram actualmente em acompanhamento médico precoce.
Especialistas presentes no evento consideram que, apesar dos avanços, ainda persistem desafios significativos, como o acesso limitado aos serviços de diagnóstico em algumas regiões, o medo e o estigma associados à doença, bem como a falta de informação adequada sobre os sinais de alerta.
O “Café Oncológico” reuniu 53 participantes, entre pacientes, profissionais de saúde e representantes de associações, proporcionando um ambiente de diálogo aberto sobre experiências vividas, dificuldades enfrentadas e caminhos possíveis para melhorar a resposta nacional ao cancro da mama.
Durante o encontro, foi igualmente enfatizada a importância do apoio psicológico e familiar no processo de tratamento, bem como a necessidade de humanização dos cuidados de saúde, factores considerados essenciais para a adesão das pacientes ao tratamento e para a melhoria da sua qualidade de vida.
Num contexto em que os números continuam a subir, especialistas e autoridades convergem na mesma conclusão: sem uma aposta consistente na prevenção, educação e diagnóstico precoce, o impacto do cancro da mama em Angola poderá agravar-se nos próximos anos.





































