CITADINOS E POLÍTICOS NA OPOSIÇÃO QUESTIONAM NOVA ARQUITECTURA DE NZINGA MBANDI

Ndalatando - Membros da Sociedade civil Kwanzanortenha e políticos na oposição continuam a criticar o novo busto de bronze da Rainha Nzinga Mbandi, figura incontornável da história de Angola que está erguido na rotunda da Estrada Nacional 230, na cidade capital do Kwanza Norte e que foi reinaugurado no princípio da noite da passada quarta-feira, 04.02, pelo governador provincial do Kwanza Norte, João Diogo Gaspar.

Imagem: António Domingos

Por: Jornalista António Domingos

Citadinos em Ndalatando ouvidos pela nossa reportagem manifestaram profunda insatisfação com a nova imagem da histórica heroína nacional considerando que a obra arquitétónica não representa dignidade e fidelidade histórica, bem como a verdadeira grandeza do símbolo da resistência e da afirmação da soberania dos povos angolanos.

O equipamento social ora reinaugurado pelo governador provincial daquela parcela do território nacional enquadra-se no programa de requalificação dos largos e espaços públicos da província, com o objectivo de valorizar a memória histórica, o património cultural e a imagem urbana do Kwanza Norte. O referido espaço de adorno da cidade de Ndalatando visa também embelezar a entrada da província, reforçar o sentimento de pertença e criar pontos de interesse capazes de encantar visitantes e promover o turismo cultural.

Para além das críticas de ordem estética e simbólica, os cidadãos ouvidos por este portal levantam preocupações sérias relacionadas com a transparência dos fundos públicos alocados para a execução da referida obra pública que apresenta agora uma nova arquitectura que está a gerar fortes críticas ao executivo do governador João Diogo Gaspar. 

Quibandela Júnior, é um jovem do Kwanza Norte, que nas suas redes sociais, denunciou esta semana que pelo facto de sempre criticar a governação e a gestão danosa do governador João Diogo Gaspar, bem como apresentar sugestões ao referido gestor público Mor desta província acobou bloqueado das páginas do governo provincial do Kwanza Norte e das redes sociais de João Diogo Gaspar.

Júnior foi mais profundo e aconselhou o governador JODGAS e o seu governo, no sentido de corrigirem a actual arquitetura e o design do tão polémico busto de bronze da saudosa Rainha Nzinga Mbandi.

`Governante não pode ser teimoso, pois governar é missão e não posição`. 

`O Governo da Província do Cuanza Norte ainda vai à tempo de corrigir o busto colocado na Rotunda Rainha Nzinga. Essa imagem gerada por Inteligência Artificial mostra que é possível fazer melhor. O destaque deve ser a nossa rainha e não a base de mármore que sustenta o busto`, minimizou Quibandela Júnior.

Por sua vez, João Diogo Gaspar destacou a importância da Rainha Nzinga Mbandi para a história nacional e para a identidade da província. O governador provincial, afirmou ainda que o Kwanza Norte “merece obras que valorizem a sua história e potencialidades”, realçando a aposta numa abordagem arquitectónica diferenciada, com envolvimento de técnicos especializados em artes e ofícios, e com recurso a materiais produzidos localmente, como forma de promover o que é feito na província e projectar uma nova imagem do território.

Para Maneco Luís José, ouvido por este portal sobre a situação das obras de construção cívil em curso em Ndalatando, mesmo sem estarem inscritos no OGE do ano transacto nem deste ano em curso, reagiu dizendo que `a existência de apenas uma estrada principal torna a cidade dependente de um único eixo de circulação, o que compromete a mobilidade, a segurança e o desenvolvimento económico. Não é preciso esperar a ponte da união cair para pensar noutra via. A prevenção deve vir antes da tragédia`.

Muitos são os questionamentos sobre quais foram os critérios de adjudicação, os valores gastos envolvidos, quem são os empreiteiros das obras públicas e a qualidade do trabalho apresentado pelas empreiteiras, infelizmente, as autoridades competentes não se pronunciam oficialmente sobre as reclamações, enquanto cresce o apelo para que haja diálogo, transparência e correções necessárias, em nome do interesse público e da valorização da memória histórica nacional.

Aos questionamentos da sociedade civil local, sobre a polémica do busto da Rainha do antigo reino do Ndongo e Matamba, juntou-se o secretário provincial do PRA-JÁ SERVIR ANGOLA, João Quipipa Dias, que sempre se debateu com a forma como o actual inclino do palácio Rosa de Porcelana tem gerido a província desde a restauração dos largos primeiro de Maio, Dr. António Agostinho Neto, as montagens de simafaros, troca das calçadas, aplicação de postes de iluminação públicas e outros equipamentos públicos que não estão inscritos no Orçamento Geral do Estado dos exercícios ecónomicos de 2025 e 2026 respectivamente.

João Quipipa Dias, exteriorizou por isso, o seu descontentamento sobre o busto de bronze em referência. `Não é exagero dizer isso. Fomos burlados, sim. Milhões do erário foram torrados num busto que não respeita a nossa história, distorce a figura da Rainha Nzinga e agride a nossa identidade cultural`, desabafou o jovem político na oposição.

Por sua vez, o artista plástico e escultor angolano, António Tomás Ana “Etona”, que integrou a concepção da estrutura arquitectónica, daquele busto de bronze explicou que a obra resulta de uma fusão entre arte, sociologia e antropologia, simbolizando a vitória, o amor e a ligação profunda entre o território, a sua história e o seu povo, com todos os materiais utilizados provenientes da própria província do Kwanza Norte.

Entretanto, o governador provincial do Kwanza Norte, João Diogo Gaspar, disse que o busto da nossa Rainha Njinga Mbandi, na EN230, em N’dalatando, assenta agora sobre uma nova estrutura, digna da sua grandeza histórica e cultural, bem como da sua coragem e força, preservando o legado histórico e cultural, rumo ao desenvolvimento. Segundo o governante, a estrutura de mármore possui igualmente um forte impacto turístico, ao permitir que visitantes conheçam a história da Rainha Nzinga Mbandi através de uma placa explicativa, reforçando a mensagem de que o Kwanza Norte não é apenas uma região de passagem, mas um destino de paragem e descoberta.