MORADORES DA ZONA ECONÓMICA ESPECIAL VIVEM DRAMA DE SOBREVIVÊNCIA E EXCLUSÃO SOCIAL
Nos bairros Pacavira, Notícias e Km 32, na periferia de Luanda, famílias enfrentam uma dura realidade marcada por disputas de terra, dificuldades no acesso à energia eléctrica e escassez de água potável. Entre a ameaça de despejo e o elevado custo de vida, moradores dizem viver um dilema diário: alimentar a família ou garantir serviços básicos.
A tensão cresce a cada dia nos bairros localizados no perímetro da Zona Económica Especial (ZEE), onde a insegurança fundiária se cruza com a precariedade social. Em causa está uma disputa de terras que envolve as empresas JCR Comércio Geral Importação e Exportação Lda e Montanha de Ouro, esta última associada à cidadã chinesa Qui Fang Li, também conhecida por Maria.
Os moradores relatam um ambiente de incerteza constante, onde o medo de perder as suas residências se tornou parte do quotidiano. Muitos afirmam que, além da luta pela permanência nas suas casas, enfrentam um outro desafio igualmente sufocante: o acesso à energia eléctrica.
Segundo relatos recolhidos no local, os residentes contribuíram com cerca de 35 mil kwanzas para a aquisição de postes eléctricos e mais 5 mil kwanzas para o cadastramento. Apesar disso, o acesso à energia continua condicionado ao pagamento de aproximadamente 280 mil kwanzas, valor exigido para a formalização do contrato. Para muitas famílias, este montante é simplesmente incomportável.
“É muito complicado viver aqui. A energia não é para quem quer, é para quem pode”, desabafou um morador, sublinhando que a maioria vive sem condições mínimas. Aqueles que conseguem acesso à electricidade ainda enfrentam uma mensalidade de cerca de 9.500 kwanzas, agravando ainda mais o orçamento familiar.
A situação torna-se ainda mais crítica no que diz respeito ao acesso à água. Apesar da existência de uma bacia de retenção que se estende até ao centro da EPAL, os moradores denunciam que não têm autorização para usufruir do recurso. A ausência de água canalizada obriga muitas famílias a recorrer a alternativas precárias e, por vezes, insalubres.
Neste cenário, as prioridades tornam-se um verdadeiro exercício de sobrevivência. “Ficamos divididos entre comprar comida, continuar a construção da casa ou pagar a energia”, relatou outro residente, evidenciando a pressão económica que recai sobre as famílias.
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