ALVO DE ESPIONAGEM: DADOS DE JORNALISTA ANGOLANO EM RISCO APÓS ATAQUE DO SPYWARE “PREDATOR”
O jornalista angolano Teixeira Cândido foi alvo de espionagem digital através do software malicioso spyware Predator, deixando os seus dados parcialmente comprometidos.
A Amnistia Internacional, através do seu laboratório de segurança, revelou que, em 2024, o antigo Secretário-Geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos foi a primeira vítima confirmada do Predator no país.
A Amnistia Internacional afirmou esta quarta-feira, 18 de Fevereiro, que “até ao momento não é possível identificar conclusivamente o responsável por estas campanhas de ataque”, numa altura em que a situação gera apreensão na sociedade, sobretudo entre os jornalistas, com receios de que outros casos semelhantes possam existir, configurando uma clara invasão de privacidade.
Como tudo começou

A investigação aponta que o caso remonta ao período de Abril a Junho de 2024, durante a fase final do mandato de Teixeira Cândido à frente do Sindicato dos Jornalistas Angolanos.
Na altura, o jornalista recebeu várias mensagens no WhatsApp do seu iPhone de um remetente desconhecido, usando um número de telefone de origem angolana.
Tudo começou de forma aparentemente amigável, a 29 de Abril de 2024. O indivíduo terá alegado representar um grupo de estudantes interessados em acções para o desenvolvimento do país. Após possivelmente ganhar a confiança de Teixeira Cândido, iniciou a primeira tentativa de ataque a 3 de Maio, enviando um link malicioso para infectar o telemóvel e aceder às informações contidas no aparelho.
“Nos dias e semanas seguintes, o atacante continuou a enviar links maliciosos, cada um disfarçado como artigos de notícias ou sites aparentemente inocentes, acompanhados de inúmeras mensagens para incentivar o jornalista a abrir os links”, explica a Amnistia Internacional.
Em 4 de Maio de 2024, um destes links conseguiu infectar o dispositivo com o spyware Predator.
“O spyware é capaz de aceder a uma ampla gama de dados, incluindo mensagens criptografadas como Signal e WhatsApp, gravações de áudio, e-mails, localização, capturas de ecrã, fotos da câmara, senhas armazenadas, contactos, registos de chamadas, além de poder activar o microfone do telemóvel”, acrescentou a investigação.
A infecção durou menos de um dia e foi removida quando a vítima reiniciou o dispositivo na noite de 4 de Maio, sem ter plena consciência do problema, que só veio a descobrir em 2026.
Apesar disso, as tentativas não cessaram. Até 16 de Junho de 2024, outros links maliciosos continuaram a ser enviados via WhatsApp, sem serem abertos, demonstrando o cuidado redobrado que Teixeira Cândido mantém quanto à segurança digital.






































