REDE CRIMINOSA ACTUA EM BAIRROS DE LUANDA: SUSPEITOS CONFESSAM ASSALTOS E EXPÕEM ESQUEMA LIDERADO POR “12 FUROS”
Uma nova linha investigativa do Serviço de Investigação Criminal (SIC) revelou a actuação de uma rede criminosa envolvida em assaltos a residências e roubos na via pública em vários bairros de Luanda. A operação, que remonta a 18 de Março de 2026, expôs o funcionamento interno do grupo, incluindo alegações de coacção, liderança centralizada e canais de escoamento de bens roubados.
As investigações apontam para um grupo organizado que tem actuado de forma recorrente nos bairros Nandó, Simeone, Calemba II e Camama, protagonizando pelo menos cinco acções criminosas entre Dezembro de 2025 e Março do corrente ano.
Entre os casos registados, destaca-se a invasão a uma residência, onde foram subtraídos diversos bens domésticos, incluindo fogão, botija de gás, Tv Plasma, telemóveis e uma quantia estimada em 200 mil kwanzas.
O principal suspeito, identificado apenas como José gabriel, também conhecido como “MK”, possui já um histórico criminal, com várias passagens pelas autoridades.
Segundo o próprio, a sua entrada no mundo do crime está associada à falta de condições de sobrevivência, um argumento frequentemente invocado por jovens envolvidos em práticas ilícitas nas zonas periféricas da capital.
José Gabriel revelou detalhes do funcionamento da quadrilha, que, segundo disse, é composta por cerca de quatro elementos operacionais, embora a estrutura total envolva até 12 indivíduos, incluindo figuras conhecidas pelos pseudónimos de “12 Furos”, “Mafioso” e “Libanês”.
De acordo com o depoimento, “12 Furos” assumiu a liderança do grupo e é o principal fornecedor de armas, além de ser o responsável pela coordenação dos assaltos. José Gabriel afirmou que os membros são frequentemente coagidos a participar nas acções criminosas, sob ameaças directas do líder.
“Ele liga sempre, faz ameaças e diz que temos de ir fazer assaltos. Nós actuamos em grupo de quatro. Já fizemos vários assaltos aqui na vizinhança, levámos fogões, botijas, telemóveis e dinheiro”, relatou.
As investigações indicam ainda que o líder da quadrilha possui ligações estruturadas para a comercialização dos bens roubados, o que evidencia um nível de ორგანიზação superior e uma possível rede paralela de receptação.
Apesar do seu envolvimento, “MK” procurou deixar uma mensagem de arrependimento, apelando aos jovens para se afastarem da criminalidade e procurarem caminhos alternativos, como a fé religiosa. O suspeito nega envolvimento em homicídios, mas admite estar inserido no mundo do crime há mais de três anos.
As autoridades continuam a aprofundar as diligências para desmantelar completamente a rede, identificar todos os seus integrantes e interromper os circuitos de venda ilegal de bens.
Desta forma, o SIC reafirma o compromisso no combate ao crime organizado e apela à denúncia por parte dos cidadãos, sublinhando que o envolvimento comunitário é crucial para travar a expansão destas redes nos bairros periféricos de Luanda.
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