DE VETERINÁRIA A ARTESÃ:“GRAÇAS AO MEU SOGRO, HOJE SOU UMA PROFISSIONAL DE ARTESANATO”

Gabriela Luiba uma jovem de aproximadamente, 30 anos, nasceu e cresceu na província de Luanda, município do Cazenga.

DE VETERINÁRIA A ARTESÃ:“GRAÇAS AO MEU SOGRO, HOJE SOU UMA PROFISSIONAL DE ARTESANATO”
Imagem: Angelino Katchama/DR Ponto de Situação
DE VETERINÁRIA A ARTESÃ:“GRAÇAS AO MEU SOGRO, HOJE SOU UMA PROFISSIONAL DE ARTESANATO”

Durante a infância, sempre gostou de cuidar de animais. Já na idade adulta, chegou a exercer a actividade de veterinária. Com o passar do tempo, acabou por se apaixonar pelo trabalho artesanal. A jovem conta ainda que ganhou gosto pela arte de artesã por intermédio do seu sogro.

“Eu gostaria muito de ser parteira, mas não tive oportunidade de fazer a formação. Foi a partir daí que a vida me conduziu por outro caminho”, contou.

Após iniciar a vida conjugal e passar a conviver com os familiares do marido, despertou nela o interesse pelo trabalho artesanal desenvolvido no quintal do sogro.

“Quando passei a viver com o meu marido, acompanhava o meu sogro enquanto ele fazia os trabalhos de artesanato no quintal onde morávamos. Foi aí que nasceu em mim o interesse em aprender. Assim que ele notou o meu desejo, convidou-me para a oficina onde realizava os seus trabalhos, em Luanda”, explicou.

Durante dois meses, Luiba aprendeu as noções básicas da arte, nomeadamente o corte das matérias-primas utilizadas na produção artesanal.

Segundo Gabriela Luiba, a comercialização das suas peças é feita maioritariamente através das redes sociais. Ainda assim, a jovem reconhece que a venda tem sido um processo difícil, sobretudo devido à existência de clientes burladores.

Gabriela afirma que o trabalho artesanal é exigente e que nunca fez parte dos seus sonhos iniciais, uma vez que sempre nutriu uma forte ligação ao cuidado de animais.

Após ter trabalhado como veterinária durante vários anos e depois de aprender o ofício com o sogro, a jovem revela que, actualmente, o artesanato se tornou a sua principal fonte de rendimento. A entrevista, lamenta a falta de valorização por parte das autoridades e de alguns sectores da sociedade.

“É possível viver da arte em Angola, sim, mas não é fácil. Muitos clientes não valorizam o trabalho, outros nem sequer compreendem a sua importância. Ainda assim, querem pagar preços muito baixos”, afirmou.

Gabriela assegura que cerca de 80% dos clientes não valorizam devidamente o trabalho artesanal, enquanto 20% já reconhecem a importância deste ofício. A artesã acrescenta ainda que o seu maior sonho é tornar-se uma profissional reconhecida a nível mundial, um objectivo que considera difícil de alcançar, mas pelo qual garante continuar a lutar com dedicação e persistência.

No mês de Maio de 2023, Gabriela começou a trabalhar de forma profissional e independente. Apesar das dificuldades que enfrenta, diz que desistir não faz parte do seu pensamento. 

“Eu já fui rejeitada por ser mulher, até mesmo burlada por clientes. Até hoje, tem clientes que não aceitam que as peças são feitas por mim” e acrescentou ser difícil encontrar pessoas sérias neste mundo de negócio. 

Gabriela Liuba afirmou estar a ensinar os seus filhos o trabalho de artesã, por reconhecer ser  uma profissão de grande valor.

“Tenho que deixar o meu legado, e graças a Deus, o meu primeiro filho tem mostrado  bom desempenho em aprender este trabalho, sei que fai ser um bom profissonal”,revelou.

Gabriela Luiba, afirmou que “Graças ao meu sogro, hoje sou uma profissional neste mundo da arte, se não fosse ele, não sei o que seria de mim”, revelou a jovem. 

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