ENFERMEIRO ADMITE ENVOLVIMENTO NO FURTO DE CAMAS DO CETEP PARA EQUIPAR CENTRO DE SAÚDE QUE PRETENDE ABRIR

Adalberto Joaquim Vuns Neto, enfermeiro do Centro Especializado de Tratamento de Endemias e Pandemias (CETEP), no Calumbo, província de Icolo e Bengo, admitiu o seu envolvimento no furto de camas daquela unidade hospitalar, com o intuito de as utilizar num centro de saúde que pretende abrir.

Imagem : O País

O caso, que já se encontra sob custódia policial, envolve dois funcionários, entre os quais Jacinto Capitão, de 37 anos, motorista ao serviço do hospital desde 2021, que alegou não ter conhecimento prévio sobre o destino dos materiais retirados.

Segundo o motorista, no sábado, 2 de Maio, foi abordado pelo colega, que sugeriu a retirada de cinco camas hospitalares numa “hora morta”. Jacinto afirma ter apenas auxiliado no transporte das referidas camas até à viatura, desconhecendo qualquer intenção ilícita.

O motorista acrescentou ainda que as caixas contendo cubas, encontradas no interior do veículo, são habitualmente utilizadas para o fornecimento de refeições aos pacientes, reforçando que não lhe foi prometida qualquer compensação pelo acto.

Por outro lado, Adalberto Joaquim Vuns Neto, enfermeiro do quadro do Ministério da Saúde de Angola desde 2015, assumiu a responsabilidade pela acção e apresentou um pedido público de desculpas à ministra da Saúde, à direcção da unidade hospitalar e à sociedade.

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De acordo com o enfermeiro, a sua intenção não era comercializar as camas, mas sim utilizá-las num centro de saúde que pretende abrir no bairro Benfica, zona do Sossego/Patriota.

Alegou ainda que os seus rendimentos não lhe permitem adquirir equipamentos hospitalares, tendo decidido agir após encontrar uma sala aberta que, segundo afirmou, normalmente permanece fechada por não albergar pacientes.

Imagem: PNA

Adalberto Neto explicou que, após o término do seu turno, durante uma ronda de rotina, se apercebeu da sala aberta e solicitou apoio ao colega para retirar as camas, com o objectivo de as armazenar temporariamente e transportá-las posteriormente.

Visivelmente arrependido, o enfermeiro apelou à sociedade para que evite práticas semelhantes, reconhecendo a gravidade do seu acto e manifestando o desejo de ser perdoado pela instituição e pelos seus superiores.

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