ESCASSEZ DE ÁGUA NA GABELA HÁ MAIS DE 10 ANOS AGRAVA DOENÇAS E MORTALIDADE INFANTIL

A persistente escassez de água potável na cidade da Gabela, província do Cuanza Sul, há mais de uma década, está a contribuir significativamente para o aumento de doenças e da mortalidade infantil, segundo relatos de moradores e autoridades locais.

Imagem: Ponto de Situação

A falta de acesso regular à água potável continua a ser um dos principais desafios enfrentados pela população da Gabela. Há mais de 10 anos, milhares de famílias dependem de fontes improvisadas, como rios, cacimbas e água da chuva, muitas vezes impróprias para o consumo humano. Esta realidade tem exposto, sobretudo, as crianças a doenças de origem hídrica, como diarreias, cólera e infecções intestinais.

Moradores afirmam que a situação se agravou com o crescimento populacional e a degradação das poucas infra-estruturas existentes. “Somos obrigados a consumir água sem tratamento. As crianças adoecem com frequência”, relatou um residente, preocupado com o impacto da crise na saúde da comunidade.

Profissionais de saúde da região confirmam o aumento de casos de doenças associadas à falta de água potável e de saneamento básico. Segundo os mesmos, a mortalidade infantil tem registado níveis preocupantes, com muitas crianças a não resistirem a complicações resultantes de infecções evitáveis.

Apesar de algumas promessas de intervenção por parte das autoridades, a população queixa-se da lentidão na implementação de soluções duradouras. Projectos de captação e distribuição de água têm sido anunciados ao longo dos anos, mas poucos chegaram a beneficiar efectivamente as comunidades mais afectadas.

Especialistas defendem que, além da construção de sistemas de abastecimento, é urgente investir na educação sanitária e em políticas públicas eficazes que garantam o acesso universal à água potável. Para os habitantes da Gabela, no entanto, a prioridade continua a ser simples: ter água limpa e segura nas suas casas.

A crise na Gabela reflecte um problema mais amplo que afecta várias regiões do país, onde a falta de água potável continua a ser um obstáculo ao desenvolvimento e à melhoria das condições de vida da população.

Numa altura em que o mundo assinalou recentemente o Dia Mundial da Água, a realidade vivida na Gabela evidencia o longo caminho que ainda falta percorrer em Angola para garantir o acesso universal a este recurso essencial.

Enquanto se multiplicam discursos sobre a importância da água para a vida e o desenvolvimento, milhares de cidadãos continuam privados de um direito básico, com consequências directas na saúde e no bem-estar, sobretudo das crianças. A situação reforça a necessidade de acções concretas e urgentes, para que a celebração da data não se limite ao simbolismo, mas se traduza em melhorias reais na vida das populações.

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