MUDANÇA COMEÇA NO POVO: SOCIEDADE CIVIL ANGOLANA APOSTA NA ORGANIZAÇÃO PARA TRANSFORMAR O PAÍS

Num país onde muitos já perderam a esperança na política, vozes da sociedade civil erguem-se para lembrar que a verdadeira mudança não nasce apenas dos governos, mas da consciência e acção de cada cidadão. Em Angola, cresce a convicção de que acreditar na mudança é o primeiro passo para a concretizar.

Imagem: DR Ponto de Situação

Mesmo com a existência de vários movimentos no país, a população angolana é chamada a esperar algo diferente de novas iniciativas que apostam na organização e na proximidade com o povo. Nelson Ventura, membro da sociedade civil, destacou que muitos movimentos existentes falham pela falta de estrutura, funcionando de forma isolada e empírica.

Segundo o entrevistado, a proposta passa por criar uma organização sólida, que funcione como uma verdadeira instituição, com liderança definida desde o presidente até aos núcleos de base, abrangendo províncias, municípios e bairros. “Só assim, com organização do topo à base, poderemos atingir os nossos objectivos”, afirmou.

Nelson Ventura defendeu ainda que a mudança só será possível com a consciencialização da população, sobretudo da juventude, incentivando-a a participar activamente na vida política e a votar de forma consciente. Para si, é fundamental reforçar a defesa dos direitos humanos, exigir melhores condições laborais e promover a mediação de conflitos entre empregadores e trabalhadores.

O activista sublinhou que, após décadas de governação, o país ainda enfrenta dificuldades em resolver problemas básicos como educação, saúde e saneamento. Na sua opinião, o desenvolvimento sustentável exige alternância política e maior envolvimento da sociedade civil como verdadeira voz do povo.

Por outro lado, destacou que, ao contrário dos partidos políticos, que seguem linhas ideológicas próprias, a sociedade civil deve representar directamente as preocupações reais das comunidades, sem alinhamentos partidários. “Devemos dar voz ao povo, porque somos nós que vivemos e conhecemos a realidade dos bairros”, reforçou.

Já Matias Rodrigues Correia, presidente da associação Delinquência Fora de Rua, considerou positivas as políticas apresentadas pela nova liderança do Movimento Social para a Mundança, liderado por Francisco Teixeira, manifestando expectativa quanto à sua implementação. Segundo o interlocutor, tais políticas poderão impulsionar melhorias sociais e oferecer mais oportunidades para os jovens.

“Estamos aqui para ajudar as comunidades e também para fiscalizar quem nos governa, porque isso é um direito nosso”, afirmou, sublinhando a importância do envolvimento activo da sociedade.

Por sua vez, o defensor dos direitos humanos Alexandre Barros foi directo ao afirmar que “já é hora de mudança”, apelando a um reajuste na forma como o país é conduzido e à participação mais consciente dos cidadãos.

LEIA TAMBÉM: MOVIMENTO SOCIAL PARA A MUDANÇA EMPOSSA DIRECÇÃO E REFORÇA APOSTA NA JUVENTUDE PARA TRANSFORMAÇÃO DE ANGOLA