POBREZA MENSTRUAL: MÉDICA DE FAMÍLIA APELA À UNIÃO PARA GARANTIR DIGNIDADE ÀS MULHERES

A luta contra a pobreza menstrual continua a ser um desafio social que afecta muitas mulheres e raparigas em Angola. Por este motivo, a médica de família Nicoline Silva alerta para a necessidade de maior consciencialização, acesso à informação e melhores condições de higiene, defendendo que garantir dignidade durante o período menstrual é também uma questão de saúde pública e de justiça social.

Imagem: Mulheres

A pobreza menstrual é a dificuldade que muitas mulheres enfrentam para lidar com o processo natural da menstruação de forma segura e digna. Entre os principais desafios estão a falta de pensos higiénicos, a ausência de água corrente para a higienização e o limitado acesso à informação sobre saúde menstrual.

Segundo a médica de família Nicoline Silva, o profissional de saúde que actua na medicina familiar tem a responsabilidade de olhar para o indivíduo de forma integral, desde a concepção até à morte, acompanhando também a família em diferentes momentos da vida.

De acordo com a especialista, o contexto social ainda mostra que muitas pessoas não beneficiam de acesso básico à saúde e a outros serviços essenciais, situação que se torna ainda mais evidente entre adolescentes e mulheres em situação de vulnerabilidade.

Nicoline Silva explica que a pobreza menstrual vai muito além da falta de pensos higiénicos. “Está relacionada com a capacidade que a mulher tem de trocar o penso sempre que necessário, de acordo com o seu fluxo menstrual, ter condições de higiene, acesso à água corrente e também informação adequada sobre o próprio ciclo menstrual”, afirmou.

A médica destaca ainda que muitas mulheres têm dificuldades em compreender o funcionamento do ciclo menstrual, incluindo a identificação do período fértil. Esta falta de conhecimento pode ter impacto directo na saúde reprodutiva, sobretudo quando se fala de métodos contraceptivos comportamentais, como o método do calendário.

Para a especialista, combater a pobreza menstrual passa por garantir que as mulheres tenham condições básicas para viver esse período de forma digna, com acesso a pensos íntimos, água e informação sobre a importância da troca regular dos produtos de higiene.

Neste sentido, Nicoline Silva tem desenvolvido um projecto social que realiza com os seus próprios filhos. Com recursos limitados, a médica desloca-se a comunidades e lares para levar conhecimento, realizar consultas e distribuir pensos higiénicos às mulheres que mais necessitam.

Uma das zonas onde a iniciativa tem chegado é o município do Mulenvos, particularmente na localidade da Baixa de Cassange, uma comunidade suburbana que enfrenta várias dificuldades, desde o acesso geográfico até à escassez de serviços básicos necessários para a população.

Para a médica, a presença de profissionais de saúde nas comunidades pode contribuir significativamente para aumentar a literacia em saúde e ajudar muitas mulheres a compreender melhor o seu próprio corpo.

Nicoline Silva defende também uma maior união entre mulheres de diferentes esferas da sociedade para reforçar a luta contra a pobreza menstrual. Na sua opinião, a cooperação e a partilha de conhecimento podem fortalecer as acções de apoio às mulheres mais vulneráveis.

A médica afirma ainda que está aberta a parcerias com instituições, organizações e pessoas interessadas em apoiar a causa, com o objectivo de ampliar o alcance das iniciativas e levar mais informação, assistência e produtos de higiene às comunidades que mais precisam.

Garantir condições dignas durante o período menstrual não é apenas uma questão de saúde, mas também de respeito pela dignidade das mulheres. A luta contra a pobreza menstrual, segundo a especialista, exige informação, solidariedade e acções concretas junto das comunidades.