ANGOLA REGISTA 85 MIL CASOS DE TUBERCULOSE EM 2025 E ENFRENTA DESAFIOS NO ABANDONO DO TRATAMENTO

Angola notificou cerca de 85 mil casos de tuberculose em 2025, uma redução em relação aos aproximadamente 90 mil registados em 2024. Apesar da diminuição, o país continua entre os 30 com maior carga da doença no mundo, enfrentando desafios persistentes como o abandono do tratamento e a elevada incidência em várias províncias.

Imagem: Observador

Os dados foram apresentados em Luanda pelo coordenador nacional do Programa de Controlo da Tuberculose, Damião Victorino, durante as celebrações do Dia Mundial da Luta contra a Tuberculose, assinalado a 24 de Março.

Na ocasião, o responsável destacou que, embora haja sinais encorajadores de redução no número de casos, a tuberculose permanece um grave problema de saúde pública em Angola.

Segundo Damião Victorino, o país continua a figurar entre os 30 mais afectados pela doença a nível global, reflexo de factores como as condições socioeconómicas, dificuldades no acesso aos serviços de saúde e a fraca adesão ao tratamento por parte de alguns pacientes.

As províncias do Bengo, Benguela e Namibe destacam-se como as regiões com maior número de casos reportados, o que levanta preocupações adicionais sobre a necessidade de reforço das medidas de prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento dos doentes.

Outro ponto crítico sublinhado pelo responsável é o elevado número de abandonos do tratamento. A interrupção do acompanhamento médico representa um risco significativo não só para os pacientes, que podem sofrer recaídas e agravamento do estado de saúde, mas também para a saúde pública, uma vez que contribui para a propagação da doença e o surgimento de formas resistentes da tuberculose.

O combate eficaz à tuberculose em Angola passa por uma abordagem integrada, que inclui campanhas de sensibilização, melhoria das condições de vida das populações, reforço da capacidade dos serviços de saúde e maior envolvimento comunitário. defendeu o Doutor Lemos Santa Rosa.

As autoridades sanitárias reiteram que a tuberculose tem cura, desde que o tratamento seja seguido de forma rigorosa e contínua. Neste sentido, apelam à população para procurar os serviços de saúde ao surgirem sintomas como tosse persistente, febre, suores nocturnos e perda de peso.

As comemorações do Dia Mundial da Luta contra a Tuberculose serviram, assim, para reforçar o compromisso do país na redução da incidência da doença, alinhado com as metas globais de eliminação da tuberculose enquanto problema de saúde pública até 2030.