DEPENDÊNCIA GLOBAL E CONFLITOS TRAVAM ABANDONO DO PETRÓLEO
Apesar do compromisso internacional assumido na COP28 para iniciar a transição energética, a dependência dos combustíveis fósseis, as tensões geopolíticas e os desafios económicos mantêm o petróleo no centro da economia mundial.
Três anos após o acordo para reduzir o uso de combustíveis fósseis, a guerra no Médio Oriente voltou a expor a forte dependência global do petróleo.
A passagem de navios carregados de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) pelo Estreito de Ormuz, mesmo em contexto de conflito, evidencia a importância estratégica desta rota para o abastecimento energético mundial.
Petróleo continua no centro da economia global
Os mercados financeiros reagem às variações do preço do barril, reflectindo a forte ligação entre os hidrocarbonetos e os activos económicos. Uma transição abrupta poderia provocar um impacto severo, afectando empresas, bancos e economias inteiras.
Países como Arábia Saudita, Kuwait e Iraque dependem fortemente das receitas do petróleo. Mesmo em economias diversificadas, como o Brasil, o sector petrolífero desempenha um papel relevante na balança comercial.
Questão política também pesa na dificuldade de transição
Potências como os Estados Unidos, o Canadá e a Austrália têm capacidade para avançar para energias limpas, mas a prioridade aos interesses económicos de curto prazo tem travado esse processo. O regresso de políticas favoráveis à exploração petrolífera reforça essa tendência.
Outro factor determinante é a influência das grandes empresas do sector. Companhias como a ExxonMobil e a Saudi Aramco exercem forte pressão para defender os seus interesses, contribuindo para o adiamento de mudanças estruturais.
Além disso, a transição energética exige financiamento significativo, tanto para países produtores quanto para nações mais pobres. Até ao momento, não há um consenso internacional suficiente para garantir os recursos necessários.
Apesar dos entraves, há sinais positivos
As energias renováveis atingiram quase metade da capacidade eléctrica mundial em 2025. Países como a China destacam-se na expansão da energia solar e eólica, enquanto outras regiões registam redução nos custos da electricidade graças a essas fontes.
Ainda assim, a substituição do petróleo continua a ser um processo lento e complexo, condicionado por interesses económicos, decisões políticas e pela própria estrutura do sistema energético global.
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