POLÍCIA NACIONAL TRAVA MANIFESTAÇÃO CONTRA SUBIDA DAS PROPINAS EM LUANDA
A Polícia Nacional impediu, neste sábado, 19 de Julho, a marcha organizada pelo Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA) de alcançar o Ministério das Finanças, em protesto contra o aumento das propinas nas universidades privadas do país.
A manifestação, que teve início no mercado do São Paulo, acabou por ser travada pelas forças de segurança, obrigando os manifestantes a alterar o trajecto previamente comunicado às autoridades.
Segundo relatos no local, já na hora prevista para o arranque da marcha, várias vias principais estavam interditas por efectivos da polícia.
“A polícia tem recorrido a estes métodos para travar os objectivos do nosso movimento”, denunciou uma manifestante identificada apenas como Malú, visivelmente inconformada.
O protesto contou com a presença de estudantes e membros da sociedade civil, unidos contra o aumento das propinas no ensino superior privado.
De recordar que, segundo o novo decreto governamental, os preços das propinas sofreram uma subida de 20,74%, valor que muitos consideram incomportável, tendo em conta a realidade económica do país.
Francisco Teixeira, presidente do MEA, garantiu que todas as condições legais estavam criadas para a realização da marcha, considerando injustificável o bloqueio imposto pela polícia.
“Não temos motivos para recear. Só deve ter medo quem não cumpre a lei”, sublinhou o líder estudantil.
Para o sociólogo Edmar Feliz Francisco, o aumento das propinas representa um grave entrave ao acesso ao ensino superior e agrava ainda mais o fosso entre os que podem e os que não podem estudar.
“O desejo de concluir a formação académica está a tornar-se uma dor de cabeça constante para milhares de jovens. Para os que aspiram a entrar na universidade, o cenário é ainda mais sombrio”, lamentou.
O secretário provincial do MEA em Luanda, Jones Sebastião, apelou à juventude para aderir de forma activa a manifestações desta natureza, sublinhando que o aumento das propinas irá limitar severamente o acesso ao ensino.
“O futuro académico da juventude angolana está a ser comprometido. É urgente que se reveja o preço das propinas”, alertou.
No início da manifestação, várias vendedeiras abandonaram os seus negócios para se juntarem à marcha. Entre cantos e palavras de ordem, protestavam também contra a subida do preço do táxi.
“Com o que ganhamos, já não dá para pagar táxi nem alimentar os filhos”, disse uma das senhoras, enquanto caminhava de braço dado com os estudantes.
O MEA promete continuar a mobilização até que o Governo recue na decisão e volte a tornar o ensino superior acessível aos filhos do povo.