ESTADOS UNIDOS ENVIAM TRÊS NAVIOS LANÇA-MÍSSEIS PARA ÁGUAS AO LARGO DA VENEZUELA
Os Estados Unidos enviaram três navios lança-mísseis para as águas ao largo da Venezuela, com o objectivo de combater o tráfico de droga, segundo avançou à AFP uma fonte não identificada, num contexto de tensão crescente entre os dois países.

O envio destas embarcações militares ocorre no momento em que o Presidente norte-americano, Donald Trump, intensifica a pressão sobre o seu homólogo venezuelano, Nicolás Maduro, tendo duplicado, no início de Agosto, para 50 milhões de dólares, a recompensa oferecida por qualquer informação que permita a sua captura por alegado envolvimento no narcotráfico.
Washington, que não reconhece a vitória presidencial de Nicolás Maduro, amplamente contestada dentro e fora da Venezuela, acusa o chefe de Estado de estar ligado a uma rede internacional de narcotráfico.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, classificou na terça-feira o governo venezuelano como um “cartel narcoterrorista”, apontando Maduro como o “líder fugitivo desse cartel”.
Questionada sobre a possibilidade de envio de tropas para território venezuelano, Leavitt afirmou que Donald Trump recorrerá a “todos os meios” para “impedir que as drogas inundem” os Estados Unidos.
Também a procuradora-geral norte-americana, Pam Bondi, num vídeo publicado nas redes sociais, declarou que Nicolás Maduro “é hoje um dos maiores narcotraficantes do mundo e uma ameaça à segurança nacional”, acusando-o de participar directamente no tráfico de droga através de “cartéis assassinos sediados na Venezuela e no México”.
Entre as organizações citadas estão o Tren de Aragua, bem como os cartéis de Sinaloa e dos Sóis, todos classificados por Washington como grupos terroristas.
O Departamento de Justiça norte-americano anunciou a apreensão de mais de 700 milhões de dólares em activos ligados a Maduro, incluindo dois jactos privados e vários veículos, segundo a mesma procuradora.
Em resposta, o Presidente venezuelano considerou “patética” e “grosseira operação de propaganda política” a nova recompensa oferecida por Washington, anunciando, na segunda-feira, a mobilização de 4,5 milhões de milicianos “para garantir a cobertura de todo o território” nacional. A milícia bolivariana, fundada pelo falecido Hugo Chávez, conta actualmente com cerca de cinco milhões de civis e reservistas, sob comando do exército.
O ministro do Interior e da Justiça, Diosdado Cabello, informou ainda que Caracas já posicionou meios navais nas suas águas territoriais.
Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros venezuelano advertiu que “estas ameaças não afectam apenas a Venezuela, mas também colocam em risco a paz e a estabilidade de toda a região, incluindo a Zona de Paz declarada pela CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), espaço que promove a soberania e a cooperação entre os povos latino-americanos”.