PRESIDENTE DA UNIÃO AFRICANA DEFENDE ACÇÃO URGENTE CONTRA POBREZA NO CONTINENTE
O líder da União Africana, João Lourenço, declarou esta quarta-feira, 20 de Agosto, que os Estados africanos devem priorizar a superação imediata dos problemas relacionados com o combate à pobreza, a saúde, a educação e a construção de infra-estruturas energéticas, de forma a garantir o tão almejado desenvolvimento do continente.

À margem da 9.ª edição da Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento de África (TICAD 2025), que decorre no Japão até 22 de Agosto, João Lourenço sublinhou que estas prioridades estão intimamente ligadas à necessidade de promover a mobilidade de pessoas e bens, o comércio e, em particular, o reforço das infra-estruturas de suporte à digitalização.
“A questão central no continente africano assenta no que temos de fazer rapidamente para resolver o problema da pobreza. Neste sentido, dou um especial realce aos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, uma ferramenta útil que, associada à Agenda 2063 da União Africana, terá um papel impulsionador se forem implementados com seriedade e empenho”, destacou.
O presidente angolano, que actualmente lidera a União Africana, apelou igualmente à necessidade de manter a solidariedade internacional e de reforçar a cooperação, de modo a enfrentar os grandes desafios mundiais, com ênfase na ausência de paz e segurança em vários territórios.
Relação entre Japão e os países africanos
Na avaliação de João Lourenço, o intercâmbio entre os Estados africanos e o Japão tem sido positivo, com destaque para o investimento nipónico em projectos de impacto económico.
“É fundamental que, ao nível das instituições internacionais de crédito, dos mecanismos de apoio ao desenvolvimento, bem como dos países credores, se encontrem fórmulas que facilitem o financiamento necessário à concretização da agenda de desenvolvimento de África. Dela resultará também uma maior resiliência da economia global”, frisou.
Paz em África
João Lourenço reconheceu que um dos maiores desafios da sua liderança à frente da União Africana é trabalhar para que os países que enfrentam conflitos armados conquistem a paz.
Revelou que, por iniciativa de Angola, está agendada para Setembro deste ano uma reunião com a participação de líderes africanos, destinada a reflectir sobre os principais factores que alimentam os conflitos no continente e a definir soluções práticas para inverter o actual cenário.
Entre as maiores preocupações, destacou a situação na República Democrática do Congo e no Sudão.
“Os canais para o diálogo estão abertos, mas é necessário que as duas partes, e não apenas uma, se mostrem disponíveis para negociar a paz”, afirmou.
Olhar sobre o cenário internacional
Para além de África, João Lourenço manifestou também preocupação com a instabilidade no Médio Oriente, lamentando o genocídio do povo palestiniano na Faixa de Gaza e a guerra na Ucrânia. O líder africano apelou a um esforço colectivo para “calar as armas” e restabelecer a paz mundial.
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